Ibiporã - Por lei, empresas com 100 ou mais empregados são obrigadas a preencher de 2% a 5% dos cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência. Pensando em sensibilizar o empresariado local, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) organizou, na manhã de ontem, um café da manhã especial, para aproximar alunos da educação profissional aos seus futuros empregadores. Um vídeo institucional também foi apresentado aos empresários, contando um pouco do trabalho realizado pela associação, que atualmente emprega 15 alunos.
Um deles é Éderson Vander Ribeiro, 21 anos, que há pouco mais de um ano trabalha como auxiliar em logística num centro de distribuição de uma rede varejista. Entre as atividades desempenhadas pelo jovem em oito horas diárias de serviço estão a separação de produtos e limpeza. "Sempre quis trabalhar e gosto de tudo o que faço. Não penso em parar", disse.
No início, a mãe do aluno, a costureira Maria Conceição Ribeiro, ficou apreensiva. "Tinha medo dele fazer algo errado, achava que ele não ia conseguir ficar na empresa por muito tempo, mas passados uns 15 dias eu fiquei mais tranquila e hoje estou acostumada. Acho ótimo", contou.
Com o salário, ela cobre as despesas com o filho, que nunca recebeu o benefício da prestação continuada. "É uma renda a mais e eu é que tenho que tomar conta do dinheiro porque ele não entende", completou Maria Conceição.
Para o analista de Recursos Humanos Leandro Aparecido Paduan, a entrada de Éderson na empresa foi um aprendizado não só para a família, mas para os demais funcionários do centro de distribuição. "Inclusão faz parte da filosofia da rede, que possui pelo menos dois portadores de deficiência trabalhando em cada filial", assinalou.
Durante todo o período de adaptação, o aluno foi acompanhado por um empregado, encarregado de integrá-lo à rotina de trabalho e aos companheiros, sem que Éderson se sentisse inferiorizado. "Hoje ele está totalmente adaptado", garantiu Paduan.
Segundo Carolina Franciele Domingues Lima, coordenadora do Serviço de Encaminhamento, Colocação e Acompanhamento Profissional da Pessoa com Deficiência no Mundo do Trabalho (Secap) da Apae de Ibiporã, uma parceria entre a entidade e a Secretaria Municipal do Trabalho garante a colocação dos alunos com deficiência intelectual no mercado.
Atualmente, seis empresas, entre supermercados, redes varejistas e um frigorífico, já empregam alunos, os quais desempenham as funções de auxiliar de expedição, de serviços gerais, recepcionista entre outras.
Em torno de 160 alunos estão matriculados na educação profissional e cadastrados na Agência do Trabalhador. Conforme Carolina, os estudantes passam por cursos de capacitação pelo sistema S (Senar, Sebrae e Senai) e, de acordo com as habilidades, são direcionados ao mercado de trabalho quando recebem o apoio dos familiares. "Muitas famílias ainda preferem o benefício, mas outras acreditam no potencial e optam por dar uma oportunidade ao filho."

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