'Emprego de doméstica nunca mais', afirma Nair
Emprego de doméstica
nunca mais, afirma Nair
Nair Rocha da Silva, 55 anos, trabalhava como doméstica para ajudar o marido, o servidor municipal José Lázaro da Silva, 63, a aumentar a renda familiar. Lázaro fazia parte da chamada equipe volante da Secretaria de Obras da prefeitura até que, em 1982, foi transferido para o Cemitério Municipal. Ele não só não se importou em virar coveiro, como levou a mulher para lá.
Foi meu marido que me aconselhou a vir trabalhar de limpar os túmulos, conta dona Nair. Hoje, ela é a mais antiga das zeladoras do cemitério ainda em atividade. Está há 17 anos fazendo o serviço. E nem passa pela cabeça dela voltar a trabalhar como doméstica. Aqui é mais tranquilo, explica.
Dona Nair chega de manhã ao cemitério e só sai no final da tarde. A jornada de trabalho inclui até os finais de semana e os feriados. Nos domingos à tarde, ela pode até não trabalhar, mas fica de plantão no cemitério, tentando conquistar novos clientes e, principalmente, receber o pagamento de quem aproveita o dia de folga para visitar o campo santo.
Dona Nair cobra entre R$ 5,00 e R$ 10,00 para limpar os túmulos. Depende do tamanho, explica. Ela não diz, porém, quantas sepulturas limpa por dia. Sabe que eu nunca contei, desconversa. Outras zeladoras autônomas que trabalham no local chegam a dizer que é possível ganhar até R$ 500,00, mas nenhuma admite receber tudo isso. Eu tiro R$ 250,00,frisa Maria Ivone, que trabalha no cemitério há cinco anos.
Lázaro, o marido que virou coveiro e levou a mulher para o cemitério, não pensa em mudar de setor. Dentro da prefeitura, não existe lugar melhor para se trabalhar, conta. Quando não tem enterro, ele passa o dia varrendo as ruas do campo santo, mas jura que nunca se importou em fazer enterros, nem quando teve que sepultar familiares. (S.S.)





