Os trabalhadores da rede hoteleira, gastronomia e similares de Foz do Iguaçu, que formam a maior categoria profissional da cidade, protestaram ontem contra o piso salarial da categoria, fixado em R$ 190,00. O protesto ocorreu na Avenida das Cataratas - principal corredor turístico e local de maior concentração de hotéis da cidade.
Os 3,5 mil trabalhadores dos 211 hotéis da cidade estão reivindicando reajuste salarial de 8,2%, que significa a reposição da inflação acumulada desde maio do ano passado, mais reajuste real de 4%, que elevaria o piso para R$ 213,00. O protesto ocorreu durante o período de descanso dos empregados, que optaram em não fazer greve.
Segundo o Sindicato dos Empregados da Rede Hoteleira e Similares, a categoria está descontente com o posicionamento das empresas, que não apresentaram nenhuma contraproposta para a reivindicação da categoria. Porém, o presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Similares, Carlos Tavares, afirma que foram feitas dez rodadas de negociações, das quais três na delegacia do Ministério do Trabalho.
‘‘O Brasil mudou e nós temos que entender isso. O empresários está cedendo, vendendo os seus bens e o desemprego bate em nossa porta. Se cedermos qualquer reajuste, temos que repassar para os preços das diárias e isso é impraticável, pois já registramos a mais baixa ocupação de todos os tempos’’, justifica Tavares.
O protesto de ontem, segundo a categoria, foi apenas um preparativo para uma mobilização maior, que deve ocorrer entre 25 de setembro e 5 de outubro, quando acontecem os Jogos Mundiais da Natureza em toda a extensão do reservatório da Hidrelétrica de Itaipu.
O evento está sendo considerado pelos empresários como a ‘‘salvação’’ dos hotéis, que registram a mais baixa taxa de ocupações dos 26 mil leitos existentes na cidade. Segundo o sindicato patronal, a média de ocupação dos hotéis de Foz do Iguaçu ficou em 28% no primeiro semestre deste ano.
Além do protesto durante os Jogos da Natureza, os trabalhadores se mobilizam para fazer um ‘‘panelaço’’ durante a visita do presidente norte-americano, Bill Clinton, a Foz do Iguaçu, no dia 12 de outubro. ‘‘O presidente pode não ouvir o protesto, mas não vai pegar bem para a cidade. A imprensa mundial estará aqui para registrar’’, disse o diretor do sindicato, Wilson Martins.

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