Empregada tenta obter prótese com ajuda da população
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Luka Morais Londrina 
Dorico da SilvaEm busca de auxílioA doméstica Aparecida Bueno, 43 anos, lava roupa em seu trabalho: prótese da perna direita está velha e causa dores fortesAparecida Bueno, 43 anos, acorda diariamente às 5 horas e gasta quase uma hora para ajeitar a prótese na perna direita, amputada há 12 anos. Às 6 horas, ela sai de casa, no conjunto Ilda Mandarino (zona norte) e vai para o trabalho - ela é empregada doméstica. Durante todo o dia, enquanto realiza tarefas domésticas, suporta as dores causadas pela pressão do coto junto à protese, que pesa quase seis quilos. Eu já reformei essa perna várias vezes, troquei o ferro, refiz a parte de espuma, mas agora não tem mais jeito, diz. A prótese tem oito anos.
Para adquirir a nova prótese, a patroa de Aparecida, Francisca Galdino Oliveira, iniciou anteontem uma campanha, que tem o apoio da Sercomtel S/A. São necessários R$ 1.500,00 para comprar uma prótese comum, informa. Através de ligações telefônicas, os interessados em ajudar Aparecida poderão fazer suas doações. A campanha dura um mês.
Esta é terceira prótese usada por Aparecida, portadora de defeito congênito. Assim como seu bisavô, ela nasceu com a perna direita 20 centímetros mais curta que a outra. A diferença transformava o simples ato de andar, num sacrifício para Aparecida, que precisa dobrar a perna esquerda para que a outra atingisse o chão. Eu tinha que me curvar para o lado e não aguentava tantas dores na costela e na coluna, lembra.
A decisão de amputar parte da perna foi tomada após sucessivas infecções no pé de Aparecida, onde se formou caroço. Do tamanho de uma laranja, ela lembra, o caroço tornava impossível a colocação do pé no chão. A dor era terrível.
Aparecida sustenta sua casa. O marido, que é pedreiro, está desempregado. Fez duas cirurgias de hérnia de disco e tentou ser encostado pelo INSS. Não conseguiu.
Para manter a casa, ela trabalha três dias na semana na casa de Francisca, de quem recebe R$ 120,00 por mês. Também tem emprego de diarista em um apartamento. Ela faz de tudo, menos lavar o quintal para não molhar a perna. É caprichosa e tem força de vontade., comenta a patroa.
Aparecida acredita que uma nova prótese vai significar o fim das dores, do peso e das horas gastas na sua colocação. Devido ao desgaste, as partes de encaixe foram cedendo e hoje ela é obrigada a amarrar várias faixas na cintura para segurar a perna. Além disso, precisa também proteger o coto, revestindo-o com tecido para não ferir no contato com a prótese.
A patroa de Aparecida conta que tentaram ajuda de um vereador. Como não conseguiram, a solução foi recorrer à comunidade.
Serviço:As doações poderão ser feitas até o dia 22 de agosto através de ligações telefônicas. Para doar R$ 3,00 é só discar 300-8303. Para R$ 5,00 o número é 300-8305. Para R$ 10,00, 300-8310.


