Empregada doméstica diz que mudou de vida
O que para alguns pode parecer pouco, para outros é muito. O recebimento de R$ 100,00 por mês, proveniente da Bolsa Escola, está sendo suficiente para mudar a vida da empregada doméstica Eva Aparecida dos Santos, 51 anos, e da filha dela, Fernanda Aline, de apenas 12. O dinheiro corresponde a quase metade do orçamento familiar.
Mas é com este valor, que a família recebe desde novembro de 2003, que Eva Aparecida conseguiu realizar um antigo sonho: deixar de morar de favor na casa de parentes. Antes dormindo com a filha na sala da casa da irmã, no Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul de Londrina), ela conseguiu alugar um local para morar. A dependência de dois cômodos (quarto e sala/cozinha) fica no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste). O aluguel de R$ 150,00 consome a maior parte do rendimento familiar, que consiste no salário e na bolsa.
O recebimento da bolsa, no entanto, depende de contrapartida, seguida com rigor por Eva e Fernanda. As reuniões do programa são mensais e a mãe não pode faltar. Da mesma forma, a estudante não perde aula sem justificativa convincente. Por causa da escola e de atividades extra-curriculares, Fernanda apenas estuda. O trabalho da mãe, dois dias por semana, rende mais R$ 160,00 mensais.
Mesmo com o orçamento bem apertado, a família se diz satisfeita. Principalmente porque a situação está melhor comparada aos sete anos em que mãe e filha viveram na casa de parentes. ''O pai dela brigou comigo aos seis meses de gravidez e nunca me ajudou em nada. Sempre criei minha filha sozinha'', ressalta Eva.
Outra mudança importante é que Eva está aprendendo a ler e escrever. Com ajuda da patroa, está pagando por mês um fogão novo. O sonho é usar o eletrodoméstico para aumentar a renda. Eva fez cursos do programa social para aprender a fazer doces e salgados. As receitas, garante, guarda de memória. ''Só não tenho dinheiro para comprar o material e começar a fazer''. (F.R.F.)





