Em meio aos efeitos econômicos que a pandemia do novo coronavírus tem gerado, trabalhadores buscam formas de continuar mantendo a renda e precisam se reinventar para isso. Em Apucarana (Centro-Norte), empreendedoras solidárias começaram a confeccionar máscaras de pano para vender, unindo boas práticas em prol da saúde e a garantia do sustento familiar.

Especializada em trabalhos com enxoval de bebê, mantas e bolsas maternidade, Camila Andrade mudou a atuação e agora está produzindo uma média de 60 máscaras diariamente. “Surgiu da necessidade. Conforme foi fechando o comércio ficamos sem ter onde tralhar. Fiz algumas máscaras para membros da família e as pessoas ficaram sabendo e começaram a pedir”, contou a artesã.

A atividade foi beneficiada pela recomendação do Ministério Saúde, que orientou a população utilizar máscaras de pano e deixar as descartáveis para os profissionais de saúde. “A única renda de casa é com o artesanato”, frisou Andrade, que conta com a ajuda do esposo, Luciano Reis. “Pedimos a quantidade mínima de quatro unidades e ele sai entregando dentro da cidade”, relatou.

A divulgação tem sido por meio das redes sociais, com o número de clientes aumentando a cada dia. A expectativa é de que quando o comércio reabrir, a procura seja ainda maior. “Estamos fazendo coloridas, com estampas. Algumas mais neutras, como rosa e verde claro. Pano branco não se consegue encontrar mais”, disse. O tamanho é adulto ou infantil.

O tecido é do tipo tricoline, 100% algodão e duplo, seguindo as especificações divulgadas pelo Ministério da Saúde. “Esterilizamos, passamos o ferro bem quente e embalamos uma a uma. Ainda avisamos o cliente para lavar novamente e passar. O próprio cliente tem perguntado se estamos seguindo o que o ministério indicou.”

Empreendedoras confeccionam máscaras de tecido, unindo boas práticas em prol da saúde e a garantia do sustento familiar
Empreendedoras confeccionam máscaras de tecido, unindo boas práticas em prol da saúde e a garantia do sustento familiar | Foto: Divulgação Prefeitura de Apucarana

Participando do Economia Solidária, programa da prefeitura municipal, há três anos, Andrade e o marido tem tomado todos os cuidados necessários para não levar o vírus para casa. Ela está grávida e manuseia os materiais com máscara e luvas. “Se a quantidade é grande e a pessoa é de outro município, temos um ponto de encontro que meu marido agenda, vai e entrega. Não estamos recebendo ninguém em casa”, disse. Entre os clientes estão moradores de Cambira e Califórnia.

APOIO DA MÃE

Sem conhecimento em relação à costura, Ana Julia Mourinho, também de Apucarana, tem contado com a ajuda da mãe, a aposentada Vilma Rodrigues Carneiro, para produzir as máscaras de pano. A empreendera solidária trabalha com laços e viu a demanda chegar a zero desde o aumento dos casos de coronavírus. “Eu risco o molde, corto e faço as vendas. Minha mãe costura as máscaras”, comentou.

No início utilizou tecidos para os laços que já tinha. Com os pedidos chegando, fez contato com lojas especializadas e que estão fazendo entregas para comprar mais. “Começamos no fim de semana passado e produzimos cerca de 200 unidades até quarta-feira (8). Minha irmã mora em Maringá (Noroeste) e dei uma quantidade para ela vender lá”, destacou.

O modelo que está sendo fabricado é parecido com o da máscara N95. “Todos são estampados ou coloridos. São de algodão duplo e é mais anatômico, sem pregas”, citou Mourinho. Os anúncios também têm sido feitos nas redes sociais. A família tem procurado se resguardar no momento em que há o contato com o comprador.

“Minha mãe é do grupo do risco, é diabética, moro com ela e meu filho de cinco anos, autista, e tenho tido o mínimo de contato possível com quem compra. Entrego as máscaras no portão. Não posso ter trabalho fixo para poder cuidar do meu filho. Então, a comercialização do que produzo é fundamental.”

Para a secretária da Mulher e Assuntos da Família, Denise Canesin, as empreendedoras souberam se adaptar a esse momento de crise.

SERVIÇO - Quem quiser adquirir as máscaras ou ter mais informações pode entrar em contato com a Camila Andrade pelo telefone (43) 99979-4088 e com a Ana Julia Mourinho pelo (43) 98830-2503

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