Emocionada, mãe diz ter medo de que marido tente novo sequestro
Cinco dias depois de recuperar a filha Paula, 4 anos, a professora Franciane Heinisch, 26 anos, vive um misto de alegria e temor. Ontem, durante entrevista à imprensa no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), ela disse estar meio boba de felicidade, mas muito preocupada com possíveis represálias por parte da família do ex-marido, o engenheiro florestal Pedro Miguel Violante da Costa.
Franciane afirmou que vai se proteger para que a família não sequestre novamente a menina. O pai de Pedro, Antonio Violante da Costa, a mãe, Maria Carolina, e o irmão, José Antonio, respondem pelo sequestro na comarca de Rio Negro, onde o crime foi cometido em agosto de 1996.
O caso foi resolvido nesta semana, depois que Pedro tentou regularizar a guarda da filha em Portugal, usando mentiras contra Franciane. Ele disse, por exemplo, que ela tinha abandonado o lar e a filha.
De posse dos documentos do Brasil, enviados pelo Sicride e pela advogada de Franciane, um juiz da comarca de Paro, em Portugal, mandou Pedro devolver a criança à mãe em duas horas. Pedro se recusou e Paula foi retirada à força, por uma assistente social e dois policiais, da casa onde vivia com o pai, a bisavó e duas tias.
Ele (Pedro) ficou louco e toda a família também, por fazer o que fizeram e dizer o que me disseram, afirmou. Franciane disse esperar que Pedro nunca mais volte ao País. Porque minha filha vai sofrer ainda mais, justificou. Por causa de ameaças da família do ex-marido, Franciane disse ter desligado o telefone e pensa em mudar de endereço.
Com lágrimas nos olhos, a professora contou que a filha ainda se lembra dela, que a beija e faz carinhos. Segundo Franciane, a menina está feliz, embora um pouco assustada. A professora afirmou que vai procurar ajuda profissional para tratar da menina.
Franciane disse que a filha se lembrou do dia em que o engenheiro a raptou. Ela disse: onde está a mochila verde que eu tinha quando o pai me roubou da casa da vó, contou Franciane. Paula teria dito isso ao ver o baú no qual estavam seus antigos brinquedos.
A delegada de Franciane, Carla Afonso Pedroza, vai pleitear na Justiça a guarda definitiva de Paula e a impossibilidade de visitas por parte da família de Pedro. Ela disse que quer mostrar que existe perigo de o crime se repetir.





