Curitiba

Marcelo AlmeidaEsperançaAdelina Sedrez, de 76 anos, reencontrou o filho Pedro Paulo Sedrez, que não via há 27 anosEmoção e lágrimas dominaram o reencontro em Curitiba de membros de quatro famílias que não se viam há mais de 20 anos. A história de todas elas é semelhante. São filhos que vão embora e depois de um tempo perdem o contato com os pais. Os endereços mudam, as cartas não chegam e o tempo se encarrega de afastá-los mais ainda.
O reencontro foi promovido ontem pela Ouvidoria Geral do Estado do Paraná, que mantém há um ano e meio o programa Quero Meus Pais, que já solucionou até agora 82 casos de familiares que estavam desaparecidos. O programa conta com a parceria do INSS, através do cadastro de empregados e aposentados, que auxilia nas investigações.
Ontem a família Baartz reencontrou Achiles, desaparecido há 34 anos. Ele está morando em Porto Alegre e foi encontrado pelos filhos Erna Izaltina Gomes e Marcelo José Baartz. Os filhos moram em Curitiba e sempre quiseram conhecer o pai, que foi embora após separar-se da mãe quando a família morava em Rio Negro (PR). Na época, Erna tinha dois anos e Marcelo, dois meses de idade.
Achiles conta que tinha vontade de procurar os filhos, mas não tinha coragem. Quando soube que estava sendo procurado pelos filhos, achou que estava recebendo um presente de Deus. Achiles trabalha num estacionamento em Porto Alegre e tem mais dois filhos. Agora ele pretende reunir a família e manter contato com todos os filhos.
O reencontro de Márcia Luciene Carneiro e Marta Lúcia Carneiro foi com a mãe Carlinda Rodrigues Carneiro. Elas acreditavam que a mãe estava morta, pois estavam separadas dela há 26 anos - foram criadas pela avó paterna. O pai dizia que a mãe tinha morrido. O casal morava em Ibaiti e quando se separou, em 1973, a Justiça decidiu que Marta, com 3 anos, ficaria com o pai, e Márcia, com 2 anos, com a mãe. A mãe entendeu que as duas meninas não podiam ser criadas separadas e abriu mão da guarda das meninas para o pai, porque ele tinha mais condições financeiras.
O encontro de Adelina Sedrez, de 76 anos, com o filho Pedro Paulo Sedrez, desaparecido há 27 anos tocou toda a família. O filho tinha 18 anos quando foi servir à Marinha no Rio de Janeiro. Inicialmente, mantinham contato por carta. Depois que saiu do serviço militar, Pedro não obteve mais respostas da família. Ele ficou no Rio e constituiu família. Dona Adelina conta que nunca perdeu a esperança de encontrar o filho.
A quarta família também foi um reencontro entre a mãe Maria Luiza Resende com os filhos Cícero Resende, Maria de Fátima Resende e Helena Resende, desaparecidos há 34 anos. A família morava em Vicentina (MS) e após a separação as crianças foram levadas pelo pai. O pai contou para os filhos que a mãe havia morrido e eles cresceram acreditando nisso. As filhas moram em Guaíra e o filho, em Foz do Iguaçu.

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