Emoção marca o fim de greve na UEL
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sexta-feira, 07 de julho de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
A emoção e a revolta dominaram ontem a assembléia unificada que reuniu cerca 1.500 professores, funcionários e alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e decidiu pela suspensão da greve até o próximo dia 26. A votação ocorreu depois de manifestações feitas em repúdio à atitude de um grupo de professores que, na quinta-feira, em assembléia específica, decidiu deixar o movimento unificado e, de acordo com avaliações ontem, enfraqueceu a luta das três categorias. Na manhã de ontem, assembléia específica dos servidores do Hospital Universitário (HU) também aprovou a saída do movimento. HU e Hospital das Clínícas (HC), conforme assembléia realizada na terça-feira, deveriam voltar à greve ontem.
A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (SinSaúde), Ana Maria da Cruz, justificou: Não dá para fazer greve sozinho, se referindo à posição do grupo de professores que saiu do movimento. Um grupo de servidores do HU, porém, se manifestou contrário à assembléia que optou pela saída do pessoal do hospital do movimento. Quando a presidente do SinSaúde, Ana Maria Cruz fez seu pronunciamento na assembléia unificada de ontem, alunos e servidores do HU e do HC ficaram de costas para a mesa que dirigiu os trabalhos.
Com a saída dos professores e do pessoal do HU, os servidores do HC também decidiram voltar ao trabalho na segunda-feira. A professora Fátima Carneiro dos Santos pediu desculpas aos estudantes pelo posicionamento de sua categoria e lamentou o fato de o aluno ser visto como cabeça de boi que serve apenas para engordar os cofres da universidade e de Londrina.
Um oficial de justiça acompanhou toda a assembléia com ordem judicial para chamar reforço policial caso fosse discutida alguma ação que pudesse inviabilizar a realização do vestibular de inverno. O oficial estava com liminar judicial que garante a realização do concurso. A medida proíbe o comando de greve de praticar qualquer ato que atrapalhe a realização do vestibular, marcado para acontecer entre os dias 16 e 20 deste mês.
A liminar é dirigida ao Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), Associação dos Docentes da Universidade (Aduel), Sindicato dos Servidores Públicos Técnico Administrativos da Universidade Estadual de Londrina (Assuel), SinSaúde e Diretório Central dos Estudantes (DCE).
O reitor da UEL, Jackson Proença Testa, explicou que a decisão do juiz substituto da 8ª Vara Cível, Ademir Ribeiro Richter, tira da universidade qualquer responsabilidade por atos que venham a atrapalhar o bom desenvolvimento do vestibular de julho, como por exemplo impedir que alunos cheguem aos locais de provas ou atos que atrapalhem a organização do concurso.
Se um aluno for impedido de realizar a prova, ele poderia mover uma ação indenizatória contra a UEL ou ainda provocar o cancelamento de todo o vestibular, comentou o reitor. Com a liminar, esta responsabilidade não é mais da UEL. Testa tranquilizou os candidatos frisando que o vestibular vai acontecer.
O reitor também comentou ontem a suspensão da greve dos funcionários dos hospitais Universitário e das Clínicas. Ele disse que na próxima terça-feira estará em Curitiba em reunião com representantes do governo estadual, o superintendente do HU, Cláudio Camacho, e a presidente do SinSaúde, Ana Maria da Cruz, para aprovação de uma minuta do decreto de lei que estabelece o quadro de carreira dos funcionários dos hospitais universitários do Paraná. Também nesta reunião serão discutidos a contratação de funcionários para o HU de Londrina, pagamento de horas extras e banco de horas extras. (Colaborou Adriana De Cunto)


