Veículos que soltam grandes quantidades de fumaça no ar têm poucas chances de serem apanhados numa fiscalização em Curitiba. O próprio Batalhão de Polícia de Trânsito (BPtran) admite que o trabalho não é feito com regularidade. Além disso, o BPtran não dispõe do número de apreensões relacionadas a este tipo de infração de trânsito nas ruas da cidade.
Durante quatro dias, a reportagem da Folha tentou colher dados sobre os veículos que mais causam problemas nas ruas e o número de eventuais apreensões nos anos de 1999 e 2000, mas o BPtran não soube informar. Em resposta, o comando do batalhão alegou que ‘‘a legislação que ampara a fiscalização de emissão de fumaça é o artigo 231, inciso III do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), combinado com a resolução 510/77’’.
Segundo o setor de relações públicas do BPtran, ‘‘tal resolução é específica para a fiscalização da fumaça expelida pelo cano de escapamento do motor a óleo diesel’’. No entender do comando do batalhão, a maioria dos veículos a diesel roda nas rodovias, onde a fiscalização fica a cargo das polícias rodoviárias Estadual e Federal. Vale lembrar que o volume exagerado de fumaça não sai apenas dos escapamentos de caminhões que rodam pelas rodovias. Carros de passeio, caminhonetes e os mesmo caminhões também circulam numa área de jurisdição do BPtran: as ruas de Curitiba.
A única fiscalização existente na cidade sobre a emissão de gás carbônico na atmosfera é feita pela URBS (empresa que gerencia o transporte coletivo). Mas o trabalho não abrange toda a frota de veículos de Curitiba. Apenas os ônibus são submetidos a testes que medem a quantidade de fumaça. Os fiscais realizam blitz a cada 15 dias em pontos estratégicos da cidade e nos terminais de integração para verificar como anda a emissão de gases. O trabalho é feito visualmente, sem a ajuda de equipamentos. O gás carbônico é tóxico à saúde.
Quando os fiscais suspeitam que um coletivo joga no ar fumaça demais, a empresa proprietária é avisada para providenciar o reparo. A URBS submete o veículo a um teste mecânico, que existe desde 1986. O prazo para corrigir o defeito é de sete dias. Se o problema persistir, a autorização que garante a circulação do ônibus é suspensa até que o conserto seja feito. Sobre ônibus defeituosos, a população também pode enviar suas reclamações para o telefone 156.

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