Passados apenas 39 dias de sua posse, o secretário da Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, parece caminhar na corda bamba. Ontem, ele foi cobrado pela governadora em exercício Emília Belinati (PTB) por causa da violência no Estado, em especial em Londrina. Entidades civis da cidade fizeram um protesto anteontem pedindo que o secretário deixasse a pasta.
Cândido Martins prefere não falar no assunto. ‘‘Respeito as opiniões das entidades, mas não vamos polemizar’’, disse ele. ‘‘Vamos responder com trabalho e executar nosso plano’’, afirmou. Conforme a assessoria de imprensa do secretário, o setor de comunicação social do governo do Estado prepara um documento para entregar à imprensa no qual rebate as críticas das entidades de Londrina. Ontem, a subseção da OAB de Londrina também enviou ofício à governadora exigindo solução para os problemas de segurança.
Ao apresentar a Operação Carnaval, numa reunião a portas fechadas, Cândido Martins fez extenso relato sobre os investimentos em segurança realizados em Londrina, cidade da vice-governadora. Emília não fez observações, limitando-se a ouvir o depoimento. Conforme a assessoria de imprensa da vice-governadora, uma nova reunião com o secretário deve ser marcada para discutir somente a violência em Londrina.
Apesar das pressões, nos bastidores corre a versão de que dificilmente Cândido Martins será afastado da Secretaria da Segurança. Se tomasse a decisão, Emília ficaria em situação difícil e poderia criar um grande impasse político, principalmente por ser de Londrina.
Na reunião, Cândido Martins também apresentou medidas para evitar novas ocupações de terra pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) durante o Carnaval. Segundo ele, as patrulhas no interior serão intensificadas neste período. O objetivo, disse o secretário, é evitar conflitos, além das ocupações.
As regiões que receberiam atenção especial das patrulhas rurais seriam a Norte e Sudoeste, nas quais haveria forte movimentação de trabalhadores. Atualmente, há 52 áreas cuja ordem de desocupação já foram concedidas. Outras 110 estão em estudo pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Um dos coordenadores do MST no Estado, o sem-terra Rogério Mauro disse ontem que ‘‘não há nenhuma previsão de novas ocupações durante o carnaval’’. Para ele, porém, as invasões são uma necessidade concreta para fazer a reforma agrária avançar. ‘‘Em 500 anos de história do Brasil, a ocupação foi a forma mais eficaz para avançar a reforma agrária’’, disse. Por isso, conforme Mauro, as ocupações devem continuar.

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