Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
O alto índice de ligações inúteis ao Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom) de Curitiba, está atrapalhando o atendimento do Sistema Integrado de Atendimento ao Traumas em Emergência (Siate). O médico Jarbas Valente, que trabalha no Siate há sete anos, assegura que a parte mais difícil do atendimento é o serviço de triagem. ‘‘Nossa sorte é que a triagem realizada pelos atendentes evita que, muitas vezes, nos desloquemos sem necessidade’’, afirma.
Quase 80% das 21.105 ligações atendidas pelo Cobom no telefone 193, nos primeiros 16 dias deste mês foram trotes. A maioria das ligações são feitas por crianças em idade escolar, que usam telefones públicos. Quase sempre os atendentes do Cobom são vítimas de brincadeiras e piadas. Do total de ligações durante este período, apenas 1.238 geraram atendimentos a emergências reais. ‘‘A qualidade do atendimento do Siate só vai ser mantida se as pessoas nos chamarem para atendimentos de casos em que somos especializados: triagem e atendimento a vítimas graves’’, justifica.
‘‘Na dúvida, somos obrigados a nos deslocar e acabamos errando por excesso de zelo’’, comenta o cabo Luiz Matos, que trabalha no Cobom há nove anos. Ele diz que a minoria dos trotes são de pessoas que inventam fatos. Na semana passada, conta Matos, foram deslocadas 5 viaturas (4 delas do Siate) para atender ao falso chamado de uma mulher. Por telefone ela mentiu que havia capotado um carro ocupado por quatro crianças, nas proximidades do Trevo do Atuba. ‘‘Se o Siate ficar com sobrecarga de chamadas para situações como essa, o atendimento a emergências reais pode ser prejudicado’’, alerta.

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