Emenda retira recursos do bolsa-escola
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quarta-feira, 21 de novembro de 2001
Adriana De Cunto<br>De Londrina 
Uma emenda à proposta do orçamento do município de Londrina para o ano que vem, apresentada pelo vereador Sidney de Souza (PTB), pede a transferência de R$ 700 mil do Programa Bolsa-Escola, implantado este ano pela prefeitura, para reforçar a merenda oferecida aos alunos de ensino fundamental. As emendas foram apresentadas ontem aos vereadores e entram em discussão na próxima semana. A de número 82, que retira os recursos do bolsa-escola, já causou polêmica, ontem. Tanto a secretária de Ação Social, Maria Luiza Amaral Rizotti, quanto a secretária de Educação, Magda Madalena Tuma, são contra a proposta do vereador. Maria Luiza afirmou que uma diminuição na verba impedirá a ampliação do programa para mil famílias no ano que vem hoje são atendidas 450 famílias, que recebem uma ajuda de R$ 100,00 mensais para manter as crianças na escola.
Sidney de Souza acredita que R$ 100,00 é uma quantia alta e argumentou que o bolsa-escola do governo federal é de, no máximo, R$ 45,00 por família. Na opinião dele, a prefeitura poderia atrair os estudantes se reforçasse a merenda. O vereador disse que visitou várias escolas localizadas em bairros pobres e constatou que é preciso melhorar a qualidade da alimentação. Segundo ele, houve uma diminuição na verba da merenda, deixando de oferecer 7 de 15 itens, e que isso provovou uma grande evasão de estudantes. Mas não soube informar o número de alunos que abandonaram o estudo. ''O bolsa-escola é um programa excelente. Mas é um contra-senso mandar R$ 100,00 para uma família equanto as creches recebem R$ 40,00 por mês para manter uma criança o dia inteiro'', ressaltou Souza. Ele disse que visitou escolas dos bairros São Jorge, João Turquino e Avelino Vieira.
''Nós não deveríamos mexer em um programa de qualidade, que nasce do direito de garantir às famílias condição digna'', afirmou a secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, lembrando que a iniciativa integra todas as secretarias municipais. ''Isso (a emenda) é lamentável. No frigir dos ovos, quem vai sair penalizada é a população pobre'', reclamou. Ela lembra que 95% das famílias incluídas no programa têm renda per capita de R$ 45,00 metade da exigida pelo programa municipal e federal.
A secretária de Educação, Magda Tuma, explicou que a prefeitura recebe R$ 1,7 milhão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para financiar a merenda de 74 mil crianças do ensino fundamental. Ela garantiu que há carne e legumes de boa qualidade e disse que as pessoas que conversaram com o vereador estão desinformadas. A secretária ressaltou ainda que não há notícias de evasão escolar provocada por falta de merenda. ''Nós apoiamos o bolsa-escola, que é um programa emancipatório'', frisou.


