Embriaguez mata mais no trânsito
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2002
Andréa Lombardo Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo menos metade dos acidentes de trânsito com vítimas fatais registrados no Paraná é causada por motoristas embriagados. Curitiba está entre as capitais brasileiras que mais matam pela mistura direção e álcool, ultrapassando, inclusive, a capital paulista que tem a maior frota de veículos do País.
A violência do trânsito curitibano e a influência da bebida nos acidentes foram tema de um debate promovido, ontem, na Câmara Municipal de Curitiba. Esse é segundo de uma série de encontros que serão realizados até agosto. De acordo com o vereador Marcelo Almeida (PMDB), a intenção é reunir todas as propostas de solução apresentadas durante esses debates num documento, que será entregue ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL).
Para Almeida, as sugestões de pessoas entendidas no assunto podem ajudar a Prefeitura de Curitiba a direcionar melhor a aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança de multas cerca de R$ 29 milhões por ano, segundo o vereador em melhorias no trânsito.
O médico Luiz Carlos Von Bahten, da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado, afirmou que, em Curitiba, 42,4% das pessoas que morrem por consequência de traumas são vítimas de acidentes de trânsito. A capital paranaense só perde para Florianópolis considerada a Capital Brasileira de Acidentes de Trânsito onde 50% das mortes por trauma são causadas no trânsito.
Ao comentar a relação dos acidentes com o álcool, Von Bahten citou a disparidade entre o gasto brasileiro com os acidentes (US$ 100 bilhões/ano) e o que é arrecadado com impostos das indústrias de bebida (US$ 18 bilhões/ano).
A falta de rigor na punição aos motoristas infratores foi apontada durante o encontro como uma das causas da irresponsabilidade no trânsito. De acordo o capitão Valterlei Mattos de Souza, do Batalhão de Polícia de Trânsito de Curitiba, 827 pessoas foram autuadas no passado por dirigirem embriagadas. Em 2000, foram 1.016 apreensões. A redução se deu por conta da diminuição no número de blitze, admitiu Souza. Segundo ele, a polícia não tem equipamentos para fazer as batidas. São cinco bafômetros para uma frota de quase 730 mil carros.


