A Embratel suspendeu ontem por tempo indeterminado o serviço telefônico 0900 em todo o Paraná, segundo a diretoria de Serviços da Telepar. O cancelamento foi provocado por uma dívida de R$ 500 mil referente ao repasse do dinheiro obtido nas ligações pagas pelos consumidores à Embratel. A Telepar contesta os valores e assegura que o débito não passa de R$ 6 mil. A companhia telefônica espera retomar o serviço nos próximos dias, assim que chegar a um entendimento com a Embratel.
A atitude da Embratel marca um novo período na empresa, com a privatização. Enquanto as duas companhias eram estatais, os débitos eram pagos periodicamente, sem compromisso mensal. ‘‘Acho que ainda não aprendemos a fazer os procedimentos de maneira ágil’’, admitiu, ontem, o diretor de Serviços da Telepar, Ari Alberto Ruschel.
Para Ruschel, a Embratel não precisaria ter suspendido o serviço. ‘‘Tomaram uma medida muito drástica ao cortar o serviço, pois nunca nos negamos a pagar’’, disse o diretor. A Telepar deve negociar os valores do débito para poder reativar o serviço 0900. Ruschel afirmou que a decisão da Embratel foi unilateral e surpreendeu a diretoria da Telepar.
O serviço 0900 é exclusivo da Embratel, que necessita das empresas de telefonia nos Estados para fazer a cobrança do serviço. A Telepar apenas empresta a sua estrutura e cobra uma tarifa para isto. O restante é repassado à Embratel.
O cancelamento do serviço coincide com uma campanha lançada pela Secretaria de Direito do Consumidor que, anteontem, contra o 0900. O secretário José Tavares declarou que iria propor à Embratel o corte do serviço por violar o direito do consumidor. ‘‘Não há controle sobre o serviço. Se eles querem oferecer 0900 que invistam em equipamentos que garantam o direito do consumidor’’, disse.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vem estudando o problema que acontece em todo o Brasil, mas para a Embratel o governo do Estado não pode proibir o acesso de pessoas a um serviço público. Além do serviço 0900, há o serviço 900 da Telepar, que continua disponível. No Estado, há 21 serviços cobrados pela empresa no 900. Segundo o gerente do Departamento Comercial, Carlos Spillere, a empresa estuda a forma de bloquear o acesso ao 0900 por assinante, mas enfrenta dificuldades técnicas e de investimento.

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