Embolia no cérebro mata o criminalista Abis Doce
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quinta-feira, 19 de dezembro de 1996
Apolo Theodoro 
O time dos advogados criminalistas de Londrina sofreu anteontem um sério desfalque: morreu, aos 55 anos, Abis Evaristo Doce. Ele estava internado na Santa Casa de Arapongas desde o dia anterior e a causa da sua morte foi uma embolia cerebral. Segundo os amigos, Abis já vinha sofrendo há tempo com uma diabetes. Formado na antiga Faculdade de Direito de Londrina, Abis Doce deixou seu nome ali gravado como grande líder dos estudantes de esquerda. Ele foi presidente do Centro Acadêmico Sete de Março, além de ter tido participação ativa na UPE (União Paranaense dos Estudantes) e na UNE (União Nacional dos Estudantes).
Contemporâneos de faculdade naqueles conturbados anos 60, os jornalistas Délio Cesar e Estélio Feldman não se esquecem do jovem destemido, do agitador de primeira que não media as palavras para repudiar a ditadura militar. Délio Cesar lembra que Abis só não foi preso logo após o golpe militar de 31 de março de 1964 porque se mandou da Cidade.
Foi marcante sua atuação como liderança estudantil, que extrapolava os limites da faculdade. Muito combativo, foi uma pessoa de resistência ao regime militar, destaca Délio, lembrando que Abis foi candidato - derrotado - a deputado estadual pelo MDB, em 1966.
Mesmo estando, na época, em trincheira oposta, o jornalista Estélio Feldman não esconde sua admiração pelo então adversário que ele classifica como um camarada muito combativo e grande líder estudantil que tinha coragem de enfrentar o Theobaldo - no caso Theobaldo Cioffi Navolar, diretor da Faculdade de Direito na época.
Polêmico, Abis Doce se notabilizou na defesa de marginais. Mas ele não se considerava advogado de bandidos e sim advogado de pessoas que transgrediram a lei. Ele era destemido. Lutava com unhas e dentes pelo direito do cliente. E para ele não existia autoridade que pudesse amedrontá-lo, realça o advogado Luiz Gaya.
Abis era muito religioso, caridoso com os necessitados e tinha um carinho especial pelos presos, que eram brindados, todos os anos, com uma ceia de Natal, além de sempre comemorar com os presidiários toda vez que fazia aniversário.
Observando que a clientela dele era basicamente de pessoas que tinham cometido algum delito, o delegado Acácio de Azevedo lembra que Abis era durão no trabalho e muito honesto e leal com os clientes dele. Era um advogado muito habilidoso, dos melhores que vi na área criminal.


