Umuarama A Prefeitura de Umuarama embargou ontem as obras de instalação de uma antena da Vivo Celular (ex-Global Telecom) no Bairro Alto São Francisco. Uma diferença de 20 centímetros na distância entre a Estação de Rádio Base (ERB) e os muros das propriedades vizinhas foi o argumento usado para o embargo das obras. Lei municipal, aprovada em 2001, exige distância mínima de três metros. A estação da Vivo está a 2,8 metros de distância dos muros laterais. Os moradores do bairro não querem a antena e exigiram providências da Câmara e do Município. Ontem de manhã, cerca de 40 moradores e 15 vereadores se reuniram em frente ao terreno da Vivo, na Rua 13 de Maio, para acompanhar a ordem de paralisação das obras.
A instalação de uma antena retransmissora de sinal da Vivo Celular estava suspensa desde dezembro de 2001 por força de uma liminar concedida pela Justiça a uma ação civil pública do Ministério Público (MP). A empresa conseguiu a cassação da liminar no Tribunal de Justiça (TJ) e retomou as obras na semana passada. Revoltados, os moradores encomendaram uma avaliação dos imóveis e prometem mover uma ação de indenização contra a empresa se houver desvalorização das propriedades em função da construção da antena.
O corretor João Marques Craveiro , 69 anos, tem uma casa em frente ao terreno e garante que os imóveis vão perder o valor. ''Eu não estou conseguindo comprador para três imóveis na avenida São Paulo (Zona Dois) por causa da antena construída ali perto'' contou. Os moradores temem as doenças que a radiação emitida pelo sinal do celular possam causar. O bairro tem cerca de três mil famílias. De acordo com a Associação de Moradores, algumas já ameaçam se mudar por causa da antena.
Segundo o presidente da associação, Antônio Otto Gonçalves, a ERB está sendo instalada próxima de um posto de saúde, duas escolas e áreas públicas de lazer. Os vereadores vão apresentar uma emenda à lei, definindo 100 metros a distância mínima de escolas, o que inviabilizaria a ERB naquele local.
O promotor Pedro Valter Torrezan, que ingressou com a ação civil pública contra a Vivo depois de receber um abaixo assinado de 600 moradores, disse que o mérito ainda não foi julgado e pode ser decidida a favor dos moradores. ''A liminar era apenas uma medida preventiva'', explicou. O processo está em fase de produção de provas. O promotor pediu a realização de uma perícia, com a qual pretende comprovar que a radiação do sinal dos celulares causa problemas à saúde.
Através da assessoria de imprensa, a diretoria da Vivo informou ontem que vai cumprir o que for determinado por lei. A empresa ainda vai analisar o embargo e promete corrigir qualquer irregularidade que impeça a continuidade da obra.

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