A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) embargou ontem os trabalhos que vêm sendo realizados pela empreiteira Walter Torres Júnior Construtora Ltda., uma das responsáveis pela implantação do Parque Industrial de Curitiba. O parque vai abrigar os 13 fornecedores da fábrica de automóveis Volkswagen/Audi, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A Audi garante que o problema não adiará a inauguração da fábrica, marcada para o próximo dia 18.
O embargo foi proposto pelo procurador do Trabalho Luiz Renato Camargo Bigarelli, que havia encaminhado um ofício anteontem à DRT, depois de terem sido registradas seis mortes no canteiro de obras da fábrica e do parque desde o começo das obras. Ontem, o procurador se reuniu a portas fechadas com representantes da Audi e da empresa de segurança da obra, para traçar estratégias que garantam a segurança dos operários. O encontro teve início às 15 horas, e até o fechamento desta edição não havia sido encerrado.
Com a decisão de embargo, a empreiteira terá que paralisar seus serviços até que se adeque à legislação, segundo o delegado do Trabalho, Tércio Alves de Albuquerque. Três engenheiros designados pela DRT inspecionaram na quinta-feira o canteiro e constataram irregularidades. No relatório de inspeção os técnicos afirmaram que a empreiteira vem expondo seus trabalhadores a situações de grave e iminente risco.
Entre as irregularidades encontradas na empresa estão a ausência de elaboração de ordens de serviço sobre segurança do trabalho, principalmente quanto ao uso obrigatório e correto de cintos de segurança para trabalhos em altura. E, ainda, a não instalação de proteção coletiva em local onde existe risco de queda de trabalhadores ou de projeção de materiais.
Das seis mortes registradas na área, duas foram de funcionários da Walter Torres. A última aconteceu no dia 31 de dezembro, quando o motorista Joel Ribeiro Borges, 30 anos, morreu eletrocutado por uma descarga elétrica de 13.800 volts enquanto fazia a concretagem de um barracão.

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