Embalagens para armazenar produtos químicos tóxicos foram parar numa recicladora de papéis. São cerca de 400 quilos de tampas e fundos plásticos utilizados em tonéis da Isogama Indústria Química, de São José dos Pinhais, que doou o material para a Comércio de Papéis Aguiar. Os donos da recicladora pediram orientação técnica à organização não-governamental Amigos das Águas, que denunciou a exposição do material de ‘‘alta periculosidade’’ aos órgãos de defesa ambiental.
Técnicos do Ibama e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informaram ontem à tarde que iriam determinar a devolução dos restos das embalagens à Isogama, que produz defensivos para madeira. Segundo o Ibama, a empresa não poderia ter entregue o material. No próprio licenciamento ambiental obtido para fabricar produtos químicos, a empresa se responsabiliza em definir um local para depósito longe do contato com pessoas e o meio ambiente.
O material dos tonéis da Isogama estava no caminhão de Miguel Jorge Spikula, integrante da ONG e coordenador do Projeto Ilha - Movimento Ecológico de Incentivo à Limpeza e Higiene Ambiental, de Curitiba. ‘‘Isto estava indo para o lixo e a gente acabou recolhendo sem saber que a embalagem era de produto tóxico’’, disse Spikula, que sentiu dores de cabeça depois do contato com o material.
‘‘Devido a alta periculosidade do rejeito tóxico, solicitamos urgente atendimento e imediata abertura de inquérito contra os responsáveis’’, disse o secretário executivo da ONG Amigos das Águas, Jorge Ramon de Araújo Mello, em comunicado enviado ao IAP, Ibama e Delegacia de Proteção do Meio-Ambiente. Outras recicladoras podem ter recebido os restos do material. Spikula explicou que o corpo dos tonéis era feito de papelão prensado.
A chefe da Diretoria de Controle e Fiscalização do Ibama, Glória Maria Carvalho Zanellato, informou ontem que a Isogama desobedeceu a legislação ambiental por ter doado restos de materiais que guardavam produtos químicos. Técnicosdo Ibama e IAP estão analisando o material.
A doação não poderia ser concretizada sem especificar que a embalagem era usada para armazenar produtos químicos. A Isogama deve receber uma infração pelo procedimento. A partir de agora, a responsabilidade pela inutilização dos rejeitos, segundo Zanellato, seria do município de São José dos Pinhais ou do governo do Estado. Na indústria química Isogama, nenhum diretor foi encontrado para falar sobre a denúncia. (D.V.)

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