Embalagens tóxicas serão recicladas
James Alberti
De Curitiba
O governo do Estado lançou ontem, no Palácio Iguaçu, em Curitiba, um programa para recolhimento e reciclagem de embalagens de agrotóxicos. Agricultores do Paraná usam 14 mil embalagens por ano, o equivalente a duas toneladas. Cerca de 60% delas são de herbicidas. A maioria deste material é jogada em rios, enteirrado ou queimado a céu aberto, causando danos graves à natureza e pondo em risco as famílias dos agricultores.
Durante o evento, que teve participação maciça de prefeitos do interior do Estado, foram inauguradas as 14 unidades regionais de triagem, que deverão atender 210 dos 399 municípios do Paraná. Segundo o diretor da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Nicolau Kluppel, os agricultores estão suficientemente esclarecidos para fazer a tríplice lavagem das embalagens. O recolhimento somente não ocorria, conforme ele, porque não havia estrutura. Eles não tinham onde levar as embalagens, disse.
O governador Jaime Lerner considerou o programa um exemplo para o Brasil. Esse é mais um exemplo que o Paraná vai dar para todo o País, afirmou. Em São Paulo, porém, um programa semelhante foi lançado há 5 anos, segundo o presidente executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Criatiano Walter Simon. Conforme Simon, todos os estados agrícolas brasileiros possuem programa de reciclagem de embalagens. São programas de diferentes nomes e parcerias, disse. São Paulo é hoje o estado que mais recicla embalagens, 30% do total usado. Nos outros, o índice varia entre 10% e 20%. No Brasil, são usadas 40 milhões de embalagens ao ano, o equivalente a dez toneladas.
Para realizar o programa paranaense, chamado de Terra Limpa, a Suderhsa treinou 314 engenheiros agrônomos, 350 formandos em Agronomia e 33 supervisores, que irão gerenciar todo o sistema de recolhimento e triagem. Estas pessoas também trabalharão na orientação dos agricultores sobre as formas de procedimento com as embalagens. Os ensinamentos sobre o tema também estão sendo repassados aos 268 mil alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Os alunos irão ensinar os pais a reciclar as embalagens, da mesma forma que ensinaram a separar o lixo, disse Lerner, referindo-se ao programa curitibano Lixo que não é lixo, que separa resíduo reciclável do orgânico.





