Embalagens tóxicas são abandonadas
Embalagens vazias de agrotóxicos altamente poluentes - Decis e Gramoxone, entre outros -, foram encontradas ontem em meio à mata, a cerca de 200 metros das nascentes dos rios Roncador e Bacaetava, que desembocam na Represa do Capivari, que por sua vez integra o abastecimento de água da região. As embalagens estavam na localidade de Poço Negro, em Colombo, ao lado de um barracão que está sendo construído exatamente para abrigar tais recipientes, usados por agricultores da Região Metropolitana de Curitiba.
Conforme o engenheiro agrômomo Reinaldo Onofre Skalisz, chefe do Setor de Fiscalização do Receituário Agronômico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, os venenos Decis e Gramoxone são altamente perigosos. O Decis pode causar morte de peixes se contaminar rios. Aos humanos, o inceticida provoca queimação, coceira, depressão, dormência da pele do rosto, respiração rápida e difícil. Já o Gramoxone, segundo Skalisz, causa dor de cabeça, tremores, cólica, grande dificuldade respiratória e morte por fibrose pulmonar.
Kraw PenasSolução?Um barracão está sendo construído na região justamente para abrigar esse tipo de embalagem, que pode agredir o meio ambiente. Outros 12, iguais a este, estão sendo erguidos no EstadoPara tentar evitar problemas semelhantes, o governo do Estado constrói barracões para triturar e armazenar os recipientes, a exemplo deste de Colombo. Isso, apesar de enfrentar resistência dos moradores das localidades (leia texto abaixo).
Em duas cidades, Palotina e Santa Terezinha do Itaipu, os barracões já foram construídos. Em Colombo, Morretes, Ponta Grossa, Prudentópolis, São Mateus do Sul, Renascença, Cascavel, Umuarama, Tuneiras do Oeste, Maringá e Cornélio Procópio, as construções estão em fase de estudo e em andamento.
Segundo o engenheiro agrônomo da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Sudhersa), Rui Leão Mueller, coordenador estadual do projeto, chamado de Terra Limpa, atualmente todas as embalagens são queimadas, estocadas de forma irregular ou jogadas no meio ambiente, na beira de rios, por exemplo.
Com a construção dos barracões, ele acredita que seja reduzido a zero o destino incorreto dado às embalagens. Para usar os barracões, Mueller afirma que os agricultores terão de fazer a tríplice lavagem dos recipientes, forma de impedir contaminações. Essa lavagem, que reduz em 90% o perigo, deve ser feita no momento em que o agricultor coloca o veneno no tanque pulverizador. O coordenador do projeto não acredita que o aumento da mãode-obra dos agricultores vai inviabilizar a lavagem. É para o bem deles, diz.





