MEIO AMBIENTE Embalagens perigosas têm lugar seguro Programa da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, em parceria com municípios, atinge os objetivos em seus momentos iniciais Edson MazzettoPARTICIPAÇÃOCalendários são estabelecidos para que os produtores possam entregaram as embalagens ao programa Paulo Pegoraro De Cascavel Mais de 25 mil vasilhames de produtos químicos perigosos já estão depositadas no Centro Regional de Recebimento de Embalagens de Agrotóxicos, em Cascavel, que começou a operar em dezembro. Igual estrutura já está implantada em várias regiões do Estado, através do programa ‘‘Terra Limpa’’, fruto de parceria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e municípios. Os vasilhames, depois de prensados ou triturados, serão encaminhados para reciclagem. Com o programa, a expectativa é de que seja minimizado o risco de contaminação para populações rurais, animais e todo o ecossistema, pois as embalagens permaneciam em fundos de propriedade e até mesmo próximas a cursos d‘água. Alguns proprietários rurais chegavam mesmo a lavar os recipientes em riachos e, mais grave ainda, utilizá-los como utensílios domésticos – inclusive forma para pão – sem a completa eliminação de resíduos. Atualmente, a maior parte das embalagens utilizadas é de plástico, reciclável para a produção de conduítes de fios de energia elétrica, o que é feito por uma empresa de São Paulo – detentora de licença para a finalidade. O Centro Regional de Recebimento de Cascavel atende 23 municípios do Oeste paranaense, onde a coleta é feita pelas prefeituras, seguindo cronograma previamente informado aos proprietários rurais. Toledo é o município com o maior número recolhido, com 11.336 embalagens, das quais 10.986 de plástico, 209 de vidro e 141 latas. Em Cascavel, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, vinculada ao ‘‘Terra Limpa’’, informou durante a semana que foram 9.945 embalagens. O calendário de coleta desta primeira fase do programa prossegue até abril, para que sejam recolhidas as embalagens de produtos que estão sendo utilizados agora. O secretário de Meio Ambiente Paulo Orso observa que o recolhimento é feito após a tríplice lavagem dos vasilhames, ‘‘para eliminação da maior parte dos resíduos’’. A água utilizada para as lavagens deve ser destinada à diluição de novo produto, para aplicação em plantas que requeiram agroquímicos. ‘‘As pessoas devem estar conscientes de que tudo isso é fundamental para sua saúde e para todo o ecossistema’’, adverte Paulo Orso. André Angonese, secretário de Meio Ambiente de Toledo, observa que, mesmo com as três lavagens, ainda permanecem partículas de resíduos, por isso é perigoso deixar as embalagens nas propriedades e, mais ainda, utilizá-las para outras finalidades. Elas também não devem ser incineradas, pois os produtos químicos se volatilizam trazendo riscos para o homem e o meio ambiente. E nem enterradas, pois os resíduos permanecem na terra por cerca de 200 anos. Também em Toledo, está em fase de implantação o Centro de Atenção Primária Ambiental (Capa), entidade proposta pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas) para prevenir doenças como as geradas pelo lixo e poluição da água, através de ações ambientais. Representantes da Opas estiveram na cidade no ano passado, iniciando as discussões a respeito do ‘‘Capa’’, que funcionará no Parque Ecológico. Ainda neste semestre, Toledo sediará um seminário latino-americano de municípios que promovem a atenção primária ambiental.