Depois de longos anos de pesquisas, as indústrias estão encontrando saídas para reciclar as embalagens tetra brik assépticas, conhecidas como longa vida. Durante muito tempo elas foram consideradas um grande desafio mundial, por serem recicláveis, mas não recicladas, principalmente pelo alto custo de implantação da tecnologia necessária para a separação dos três materias que compõem a embalagem, papel, plástico e alumínio.
No Brasil, a reciclagem dessas embalagens, uma das mais modernas para a preservação de alimentos, está começando por São Paulo, onde está instalada a Tetra Pak Ltda, no município de Monte Mor, a 23 quilômetros de Campinas. Essa empresa, a única no País fabricante do material utilizado nas embalagens longavida, desenvolveu uma técnica que consegue separar as fibras do papel dos outros dois materiais, segundo Fernando von Zuben, gerente de Desenvolvimento Ambiental da Tetra Pak.
Chamado de ‘‘hidrapulper’’, o processo consiste em hidratar as fibras da embalagem com água adicionada, dentro de um equipamento semelhante a um liquidificar gigante. De acordo com Zuben, o papel recuperado pode ser usado na produção de toalhas, caixas, embalagens de ovo e até palmilhas de sapato. Já o resíduo do plástico e do alumínio vem sendo utilizado como combustível em caldeiras ou fornos de cal, ou como matéria-prima de produtos plásticos, como canetas, pés de geladeira e vasos.
A Tetra Pak vem oferecendo a tecnologia que desenvolveu a empresas e prefeituras interessadas em implantar o serviço. Atualmente, apenas sete indústrias estão trabalhando em parceria com a empresa paulista. Uma delas está instalada em União da Vitória, no Sul do Paraná. É a Novack, que entre seus clientes tem a Prefeitura de Curitiba. Embora a administração municipal prefira manter sigilo, o chefe do Departamento de Compras da Novack, Ismael Carlos Suchezicz, disse que a empresa vem recebendo, desde novembro do ano passado, cargas de lixo de embalagens longa vida produzido pela população curitibana. Ele não soube informar quanto a prefeitura já enviou, mas disse que as remessas acontecem quando o material acumulado chega a no mínimo doze toneladas.
Mas a tecnologia empregada pela Novack não utiliza totalmente os materiais produzidos pelas embalagens. Suchezicz disse que a papeleira retira apenas as fibras de papel que são vendidas para os fabricantes de produtos à base de papel, enquanto o alumínio e o plástico, em menor quantidade, são queimados.
Para a ambientalista Tereza Urban a nova técnica anunciada pela Tetra Pak é novidade. ‘‘As embalagens longa vida sempre foram um desafio, principalmente pelo custo da reciclagem’’, disse. Segundo ela, a dificuldade de se achar uma saída para o problema fez com que, na Itália, a população voltasse atrás, passando a reutilizar as garrafas de plático e vidro para a compra do leite, por exemplo.

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