A falta de regulamentação sobre o destino das embalagens de agrotóxicos é um dos principais fatores responsáveis pelas intoxicações e mortes de agricultores. No Paraná, segundo estudo feito pela Secretaria Estadual da Saúde e divulgado nesse domingo pela Folha, ocorrem cerca de 100 mortes e 700 casos de intoxicação por ano.
Atualmente, os fabricantes recomendam apenas o processo de tríplice lavagem das embalagens de agrotóxicos. Para o deputado estadual Florisvaldo Fier (PT), o ‘Doutor Rosinha’, que apresentou um projeto de lei sobre o assunto, as indústrias produtoras de agrotóxicos devem ser responsáveis pela destinação final de suas embalagens.
De acordo com o projeto, as indústrias poderiam reutilizar as embalagens, desde que para o mesmo fim e depois de obter licenciamento dos órgãos públicos competentes. Segundo o deputado, os usuários deveriam devolver as embalagens ao comerciante ou à indústria produtora, depois de realizar o processo de tríplice lavagem.
Para garantir um controle da distribuição dos produtos, os comerciantes deverão apresentar um relatório trimestral dos agrotóxicos vendidos, bem como das embalagens restituídas. O projeto prevê advertência, multa de até R$ 50 mil e interdição das atividades do comércio ou da indústria que infringir a lei.
Fabricantes - Para os fabricantes de agrotóxicos, a maior causa da intoxicação pelo uso dos produtos é a falta de educação e treinamento dos agricultores. ‘‘Quando a exposição ao produto é muito alta, o agricultor pode se intoxicar mesmo com produtos menos tóxicos. A aplicação deve ser correta e muitas vezes o problema está no equipamento, que deve ser revisado frequentemente’’, diz Marçal Zuppi, responsável pela área de educação e treinamento da Associação Nacional das Empresas de Defensivos Agrícolas (Andef). Segundo ele, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) já promoveu o treinamento de 100 mil agricultores no Paraná.

mockup