A aula de ontem dos 105 alunos das turmas vespertinas de 1 a 4 série do Colégio Londrinense foi uma festa só, sem deixar de ser importante. A criançada deixou caderno e lápis dentro da mochila e partiu para uma aventura na Fazenda Refúgio (Zona Sul de Londrina). Objetivo? Ajudar a reflorestar a área que integra o corredor ecológico de pouco mais de 30 quilômetros que liga o Parque Arthur Thomas ao Rio Tibagi e onde, por causa da ação do homem, os animais quase já não conseguem mais transitar.
Embaixo de sol forte, os futuros mandatários do planeta não desanimaram e, literalmente, colocaram a mão na terra. Para alguns, de início, a experiência pareceu estranha, mas logo o estranhamento deu lugar à alegria. Outros já mostravam mais desenvoltura e se lançaram na tarefa de ajudar na recuperação de uma área degradada da fazenda, plantando mais de 100 mudas de espécies nativas, em um trecho que é fundamental ser protegido porque pode garantir a preservação de pacas, antas, onças, graxains, mãos-peladas, e mais uma grande diversidade de espécies que habitam a região.
A missão foi cumprida com louvor. Com seis anos, Isabela de Queiroz, da 1 série, não se intimidou em sujar as mãos em prol do planeta. ''É muito legal'', divertiu-se inocentemente a garotinha. Stéfane Costa da Silva, nove anos, aluna da 4 série, só tinha plantado uma flor no quintal de casa. ''É bom porque a gente ajuda a natureza'', afirmou, com segurança. Na mesma turma, Elias Bouroujele, 10 anos, deu uma lição em muito adulto. ''Vamos fazer uma floresta para os animais viverem, porque os homens estão desmatando muito'', criticou o rapazinho.
Pela empolgação, a lição de ontem não vai ser esquecida tão cedo pelas crianças. ''Na sala, a gente trabalha a teoria e aqui é a parte prática, de vivência, que também é fundamental para eles'', valorizou a professora Fabiane Alves Marques. ''Queremos mostrar para eles que cada um fazendo sua parte podemos ajudar o meio ambiente e as gerações futuras'', destacou a coordenadora pedagógica do colégio, Lidia de Andrade Biguinatti, completando que ações como a de ontem mostram que todos têm condições de contribuir. Ela explicou que a temática do meio ambiente, trabalhada juntamente com questões sociais, foram incluídas em todas as atividades pedagógicas ao longo do ano.
O envolvimento das crianças foi proposto pela ONG Meio Ambiente Equilibrado (ONG MAE) que há alguns anos desenvolve o projeto ''Na Pegada do Parque''. Um dos coordenadores, o biólogo Eduardo Panachão, apontou que apenas na área trabalhada ontem já foram plantadas mais de duas mil mudas. A meta é atingir a marca de cinco mil mudas em dois mil hectares e chegar a 500 mil novas árvores em toda a região. ''É um desafio difícil mas está dando certo'', comemorou o ambientalista.
A assessora da ONG, Laila Menechino, apontou que outras duas escolas também já aderiram ao projeto e a intenção é envolver também escolas públicas. Ela explicou que o projeto compreende três fases: o reflorestamento, a educação ambiental e a pesquisa sobre a fauna e a flora da região.

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