Os arquitetos costumam dizer que as praças são espaços de respiro na área urbana. Na teoria, são locais para passear, jogar conversa fora, contemplar a paisagem, levar os filhos para brincar. Na prática, porém, já não conseguem trazer tantos benefícios à população. Reflexo dos problemas sociais que se intensificam, tornaram-se um dos pontos preferidos daqueles que vivem de cometer delitos, como roubos, tráfico e consumo de drogas.
Nem as praças bem cuidadas que destoam da maioria escapam. Na Rua Amantino Teixeira de Carvalho, próximo à Avenida Dez de Dezembro e bem em frente à estação da Copel, um trecho do Córrego das Pombas foi transformado em um pequeno paraíso, com espelho d'água onde carpas e tilápias vivem tranquilas; deck; uma pequena cascata; bancos e luminárias bem projetados; mudas de árvores raras com placas de identificação. Mesmo assim, à noite o espaço é invadido por visitantes barulhentos que, muitas vezes, transformam o local em esconderijo de objetos roubados.
Tanto moradores como a Copel, responsável pela revitalização do espaço, sentem-se impotentes diante do problema. ''Depois que a praça foi construída o lugar ficou mais bonito, antes era um só um buraco. Mas o duro é que não tem segurança. O pessoal que frequenta aí à noite arranca até as luzes'', diz o operador de caixa Valter Luís da Silva, que mora há mais de 30 anos em frente à praça. Ele exibe um vidro de lança-perfume vazio, encontrado na praça, e diz que já viu várias vezes pontas de cigarros de maconha escondidos nos pés das árvores.
A vendedora Márcia Teixeira, moradora do local há mais de 20 anos, conta que os problemas se intensificam nos fins de semana. ''Tem dia que a gente não consegue dormir. Antes só víamos um ou outro guarda e gatos. Agora a gente vê de tudo aí.''
A praça foi construída há quatro anos e, segundo os arquitetos Zeca Repette e Marilda Marchiori, responsáveis pelo projeto, a intenção foi justamente criar um local seguro e de boa aparência. ''Quisemos mostrar que é possível presentear a cidade com coisas bonitas. A idéia do espelho d'água com peixes, por exemplo, foi uma maneira de resgatar um pouco do que foi a Praça Rocha Pombo (localizada entre os museus Histórico e de Arte). É muito triste saber que um espaço que projetamos com tanto cuidado esteja enfrentando estes problemas'', observam.
Para Repette, em qualquer lugar que se tente implantar os chamados equipamentos urbanos hoje em dia esbarra-se na falta de segurança. ''Não há contrapartida do município para iniciativas como esta'', avalia o arquiteto. Ele observa que várias empresas poderiam revitalizar e adotar as praças da cidade, como forma de mantê-las conservadas. ''Existem muitas opções simples e de baixo custo, que poderiam tornar estes espaços mais agradáveis'', afirma.
A Copel admitiu, através da assessoria de imprensa, que os problemas com a falta de segurança são constantes no local, e que os seguranças da empresa já chamaram a polícia mais de uma vez. Ainda de acordo com a assessoria, câmeras de segurança foram colocadas na praça depois que as luminárias foram destruídas, o que diminuiu o número de reclamações em relação ao consumo de drogas e depredação. Antes da construção da praça, informou a empresa, a população se queixava muito do mau cheiro e transbordamento do córrego.

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