Ednelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
O Centro de Recuperação Vida Nova (Cervim), de Rolândia, especializada no atendimento de dependentes de drogas e do álcool, reformulou toda a sua estrutura para receber meninos de apenas 8 anos. É que, segundo o diretor Maurício de Souza, o vício está se tornando cada vez mais precoce nos últimos anos.
Souza informa que na década de 70 as instituições só recebiam adultos; na década de 80 passaram a abrir vagas para jovens; mas a partir dos anos 90 houve a necessidade de receber adolescentes e até mesmo crianças. ‘‘A disseminação da droga provocou uma queda brusca na idade dos dependentes e isso infelizmente é um reflexo do que está acontecendo hoje na sociedade. Cada vez mais cedo as crianças estão tendo acesso as drogas e as instituições tem que se adequar para essa nova realidade’’, afirma.
Maurício revela que tem aumentado a cada ano o número de crianças e principalmente de adolescentes que estão procurando, através de seus familiares, algum tipo de ajuda. ‘‘Essa situação tem a ver com a caótica situação social do país. ‘‘A família está sendo diretamente afetada por essa condição de miséria. São pais sem condições de oferecer casa, comida, educação e enfim, o básico para os filhos. Isso contribui para a desintegração da família. Por isso, uma das nossas preocupações no Cervin é fazer um trabalho específico com a família. Não adianta o jovem ou o adolescente sair daqui recuperado e voltar para o mesmo ambiente que permitiu que ele entrasse no mundo das drogas.’’
Nos 15 anos de atuação do Cervin, perto de 2.000 pessoas estiveram internadas, registrando um índice de recuperação de aproximadamente 72%. O trabalho é dividido em quatro fases e dura oito meses. Nos primeiros dois meses, o cliente, como é chamado ali, enfrenta dois meses sem sair da unidade urbana. Esse é considerado o período mais difícil. É quando o viciado começa a deixar as drogas ou álcool sem tomar nenhum tipo de medicamento. São comuns as crises, em alguns casos até de violência. Mas a equipe do Cervin tem experiência para enfrentar essa fase, inclusive com acompanhamento direto de psicólogo e assistente social.
Em sessões de aconselhamento diário o dependente começa a entrar no processo de libertação do vício. Mas não é uma tarefa fácil. É uma verdadeira guerra diária. A receita para o milagre da libertação do vício, segundo o diretor, é decorrente de uma somatória de ações. ‘‘Com certeza, o amor é o ingrediente principal para a recuperação. Acrescenta-se a isso o trabalho terapêutico, os aconselhamentos, as atividades esportivas, de lazer, culturais e espirituais através do ensino diário de princípios bíblicos. A nossa preocupação não é apenas devolver para a família e a sociedade uma pessoa curada do vício, mas também transformada no seu caráter e com uma nova perspectiva para encarar os desafios da vida.’’

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