Em Umuarama, floriculturas reclamam de concorrência desleal
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quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Vânia Moreira 
As floriculturas de Umuarama acusam os supermercados de praticar dumping (vender abaixo do custo para quebrar a concorrência) e querem que sejam proibidos de vender flores. Na realidade, apenas um supermercado de Umuarama, a Casa Moreira, vende flores em grande quantidades e por preços bem mais baixos que as lojas de flores.
Para os donos de floriculturas, a concorrência praticada pelo supermercado é desleal e está levando as empresas à falência. Das 18 existentes na cidade, cinco fecharam as portas desde que o supermercado entrou no ramo, há dois anos. Donos de floriculturas, funcionários do supermercado e vereadores se reuniram ontem à tarde na Câmara para tentar encontrar uma solução.
O proprietário da Floricultura Cabana das Flores, Anézio Zaranelo Filho, diz que o movimento dele caiu 90% por causa das vendas no supermercado. As pessoas compram orquídeas a R$ 4,00 no mercado e depois ligam para a gente para saber como se cuida da planta, indigna-se.
Segundo Zaranelo, o supermercado está vendendo flores a preços 40% inferiores ao custo pago pelas floriculturas. Queremos saber que milagre é esse, questionou. Outra empresária, Aparecida Acássio, da Floricultura Bem-Me-Quer, contou que está com despesas atrasadas e se as coisas não melhorarem vai ter de fechar. Os empresários querem que o supermercado pare de vender flores ou, pelo menos, pratique os mesmos preços das floriculturas.
O gerente do Supermercado Casa Moreira, José Leandro, disse que as 28 lojas da rede vendem flores para diversificar a oferta de produtos.
Ele disse que a empresa consegue preços menores porque compra grandes quantidades diretamente dos produtores em Holambra (SP). Leandro se ofereceu para negociar as mesmas vantagens para as floriculturas, mas os empresários querem continuar com os fornecedores habituais. Para eles, a solução é o supermercado sair do ramo ou praticar os mesmos preços.


