Milton DóriaVeículo perigosoCapitão Manoel Cruz Neto, da Ciatran, motoqueiro durante 13 anos: ‘‘Hoje não me arrisco muito’’O mês de junho começou com registro de cinco mortes no trânsito, sendo quatro envolvendo condutores e ocupantes de motocicleta. Importante: todas as vítimas, segundo informações extra-oficiais, não usavam equipamento obrigatório de segurança, o capacete. Os acidentes aconteceram no perímetro urbano.
Só no último domingo, foram registradas quatro vítimas fatais, que trafegavam de moto. Um dos acidentes aconteceu na avenida Tiradentes, perto do Moinho Dona Benta.
O veículo Corsa conduzido pelo vendedor Valdir Munhã, que seguia pela avenida Tiradentes, em direção a Cambé, bateu em uma moto XL, placa CM 5485. Na moto estava um casal, ambos sem capacete. Marina de Paula Proença, 30 anos, morreu antes de chegar ao hospital. Ela acompanhava Manoel Dias, 57 anos, que faleceu no local.
Outros dois acidentes fatais aconteceram anteontem. O primeiro deles foi na rua Júlio Estrela Moreira, perto do lago Igapó (área central). Francisco Pereira dos Santos, 34 anos, teve morte instantânea após bater com a moto Honda 125, placa AGX 2825, de Londrina, em um poste.
O segundo ocorreu por volta das seis horas, no quilômetro 369, da rodovia PR-445 (Celso Garcia Cid), que liga Londrina a Tamarana. Também morreu na hora o ocupante da moto, o vigilante João Gregório de Souza Filho, de 46 anos.
Segundo o relatório da Polícia Rodoviária, a motocicleta chocou-se com o Fiat Palio, conduzido por Pedro Henrique Geraldi Raymundo, 32 anos, que seguia para Curitiba. No momento do acidente, eram boas as condições de visibilidade naquele trecho.
Também morreu no domingo Leandro Batista dos Santos, 19 anos, vítima de acidente ocorrido no último dia 30. Leandro conduzia uma moto que colidiu com uma Brasília. Ele ficou internado em hospital mas não resistiu aos ferimentos.
Dados da Companhia de Trânsito do 5º Batalhão da Polícia Militar revelam que, até ontem de manhã, terceiro dia do mês, foram registrados 44 acidentes que deixaram 18 feridos.
O comandante da Ciatran, capitão Manoel Cruz Neto, que possui uma moto, afirma que a situação é assustadora. ‘‘Se os motoqueiros usassem o capacete e respeitassem as leis de trânsito, a situação seria diferente’’, diz.
O capitão Cruz Neto conta que a motocicleta foi o seu meio de transporte durante 13 anos. ‘‘Hoje eu não me arrisco muito.’’
Ele entende que os motoqueiros acabam ‘‘criando oportunidades’’ para que os acidentes de trânsito aconteçam. Manoel Neto insiste para que os motoqueiros observem os cuidados básicos: andar com o farol aceso durante o dia para chamar a atenção; não cortar a corrente de tráfego; evitar manobras arriscadas; não fazer ‘‘costuras’’ entre os carros.
O uso do capacete, destaca o capitão, é obrigatório mas o equipamento que pode salvar vidas continua sendo usado como enfeite de cotovelo, servindo apenas para atrapalhar a direção da moto. A falta do capacete é, inclusive, a infração mais comum entre os motoqueiros. O excesso de velocidade e o desrespeito ao semáforo são outros problemas sérios, diz o comandante. ‘‘Muitos acham que as leis não foram feitas para os motos’’, lamenta.
Outro equipamento que, na opinião do comandante, pode reduzir a gravidade das fraturas em caso de queda é o conhecido ‘‘mata-cachorro’’. O arco localizado entre as rodas e o motor da moto serve de proteção para as pernas. ‘‘Evita que a moto caia sobre a perna do condutor’’. Poucas motos têm a proteção.
A Companhia de Trânsito de Londrina registrou de janeiro a junho deste ano 2.361 acidentes que resultaram em 849 feridos e 33 mortos. Do total de vítimas fatais, 15 trafegavam de moto, nove foram vítimas de atropelamento, sete estavam em carros e dois eram ciclistas.
Avaliando as estatísticas do semestre, o comandante da Ciatran conclui que quase metade das ocorrências de trânsito envolve motocicletas.
Considerando que é cada vez maior o número de motos que trafegam pelas ruas da cidade, ele apela aos condutores: ‘‘Sejam cuidadosos, usem o capacete e obedeçam as regras de trânsito’’.

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