Curitiba Sete policiais foram assassinados no Paraná entre janeiro e julho deste ano. São quatro investigadores da Polícia Civil e três policiais militares. A informação é da Secretaria de Estado de Segurança Pública. A maioria foi morta no horário de folga.
Os quatro investigadores da Polícia Civil moravam na Região Metropolitana de Curitiba e foram vítimas de arma de fogo. Aparecido Lopes, 46 anos, morreu no dia 29 de março. Ele foi morto em casa, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Luiz Gonzaga Santos, 49 anos, foi morto no dia 3 de junho. Ele foi assassinado durante resgate de presos na Delegacia de Colombo. Bernardo Braga Lacerda, 42 anos, foi baleado no dia 17 de junho ao tentar impedir o roubo de um carro, no centro da capital. Osvaldo Alves Veiga, 46 anos, estava de férias quando foi assassinado, no bairro Cajuru, também em Curitiba.
Os três PMs estavam de folga quando foram assassinados. Márcio Nunes de Souza, de Pato Branco, foi vítima de arma branca, no dia 11 de janeiro. Carlos Antonio de Paula, de Guarapuava, foi baleado no dia 29 de fevereiro. Marcos Vinicio Aragão, de Campo Mourão, também foi vítima de arma de fogo, no dia 12 de março.
A ''Folha de S.Paulo'' publicou, na edição de ontem, reportagem mostrando que 280 policiais civis e militares foram assassinados no Brasil entre janeiro e a primeira quinzena de julho deste ano. O levantamento foi feito em 26 estados e no Distrito Federal com dados das secretarias estaduais de segurança e de corporações policiais.
Entre os estados com o maior número de policiais assassinados, o Paraná está em nono lugar. O Rio de Janeiro encabeça a lista, com 81 mortos. São Paulo vem em segundo lugar, com 59 vítimas e Bahia, na sequência, com 29. Acre, Amazonas, Amapá e Rio Grande do Norte não registraram a morte de policiais no primeiro semestre deste ano.
Ainda segundo o levamento do jornal, o número de policiais mortos no Brasil é maior do que na Colômbia, que enfrenta uma guerrilha desde a década de 40. Lá a polícia teve 65 baixas.
Assim como no Paraná, a maioria dos policiais assassinados no Brasil não estava em serviço. A Polícia Militar (PM) apresentou o maior número de vítimas.
Para o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Paraná (Adepol), João Ricardo Képpes Noronha, os baixos salários empurram o policial civil e militar para uma outra atividade, deixando-os expostos à ação de criminosos. ''Na folga, eles se dedicam a outra atividade. São motoristas de táxi, segurança. Quando descobertos, são executados'', explica.
Esse número só será revertido, na opinião de Noronha, com melhor qualificação do policial e mais atenção por parte da Secretaria de Segurança Pública do Estado. ''É preciso menos discurso político e mais visão técnica'', diz.
O diretor jurídico do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), Jorge Luiz Garret, acredita que o número alto de policiais mortos no Brasil reflete o aumento da violência no País.
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que lamenta as mortes dos policiais e ressalta que mesmo os crimes ocorridos durante horário de folga estão sendo apurados com rigor.

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