Curitiba – ‘‘Além de cobrar políticas públicas, é necessário orientar. Cada vez mais a escola é um ponto de segurança que vai instruindo nossas crianças e jovens.’’ A afirmação é da presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), Marlei Fernandes. A partir desse contexto, as escolas devem orientar seus alunos sobre os cuidados com a segurança
pessoal.
  O conceito ‘‘ponto de segurança’’ é observado na Escola Estadual Angelo Trevisan, em Curitiba. Lá, 410 alunos da pré-escola e ensino fundamental são alvo de uma estruturada rede de proteção. Além de equipamentos de segurança (portão eletrônico e câmera de vigilância na entrada), os estudantes aprendem em sala de aula como devem se proteger.
  Trata-se do projeto ‘Atitudes que constroem o caráter’. ‘‘Trabalhamos para que boas atitudes se tornem hábito’’, explica a diretora Antonia Maria Dezan Lobato. Os professores trabalham com os alunos temas como segurança nas proximidades da escola, no trânsito e nas brincadeiras com os colegas. Não é permitido às crianças saírem desacompanhadas, nem com pessoas (até mesmo parentes) que não estejam autorizadas pelos pais. Elas são orientadas a permanecerem dentro da escola enquanto aguardam a chegada dos responsáveis.
  Os pais também estão na mira das práticas de segurança. Desde a primeira reunião com a direção, são avisados sobre o rigor em relação ao horário de levar e buscar seus filhos na escola. Eles são cobrados no caso de eventuais atrasos, com registro na agenda dos estudantes em cada ocorrência. Depois da quinta notificação, os responsáveis são chamados à escola para assinar um termo de compromisso. ‘‘Os pais devem vir aqui dentro buscar os filhos. Em hipótese nenhuma a criança deve sair daqui sozinhos. Somos extremamente radicais nesse ponto’’, ressalta a diretora.
  Para Rosângela de Fátima Silva Lopes, a prática garante a segurança de seus filhos quando estão na escola. Ela participa da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) e, sempre que pode, acompanha os alunos em passeios fora da instituição. ‘‘Não é uma responsabilidade só com os nossos (filhos), mas com todos’’, diz. Outro pai de aluno, Walmir Battu, acompanha de perto a ação na escola e também atua na APMF. Ele já teve uma filha desaparecida durante 20 anos e trabalhou na organização não-governamental Interbureau, que atua na busca de crianças desaparecidas em todo o mundo. Com a sua experiência, ele contribui com a orientação dos estudantes. ‘‘Tenho tranqüilidade quando meus filhos estão dentro da escola.’’
  A instituição tem conseguido sensibilizar as crianças. ‘‘Somos orientados a ficar dentro da escola’’, conta a aluna da terceira série, Cecilia Maria Silva Lopes, 9 anos. ‘‘A gente não pode falar com estranhos. Eles podem nos pegar e nos maltratar’’, complementa Gabriela Thais Munhoz, 10, aluna da quarta série.

mockup