Se a dor serve de aprendizado, moradores da zona leste de Londrina se dizem calejados com o que já sofreram com a dengue na região. A comerciante Maria Aparecida Donato da Silva, de 49 anos, diz que a ainda se recupera da doença. "Aqui na Vila Izabel agora está sossegado, mas no ano passado foram seis casos confirmados. Daí, descobrimos de onde vinha e tiraram um caixa d´água desativada. Não desejo isso para ninguém. Foi uma semana de cama e até hoje sinto dores nas juntas, uma senhora de 80 anos pegou e a cabeleireira quase morreu", relatou.
No Lindoia, Mirador de Oliveira Magalhães diz que não sabe de nenhum caso entre os vizinhos. "Minha casa é limpinha, não tem vasilha de água e no que depender de mim, não via ter dengue", enfatiza. O borracheiro Lucas Jackson, de 24 anos, defende a profissão. "Não sou de acumular nada e pago R$0,50 por pneu onde faço o descarte. Moro no Lindoia há um mês e meio e não ouvi falar de nenhum caso", informou.
No Jardim Alemanha, no salão de beleza da Beth, também não há conversa sobre dengue. "Nem entre os vizinhos mais próximos e nem na região", disseram as clientes. O aposentado Darci Antunes Ribeiro, de 73 anos, mora na Vila Izabel e diz que faz o máximo que pode para manter o quintal em ordem. "Quem passa pelo problema vê o quanto é valioso cuidar de cada cantinho e conscientizar os vizinhos", refletiu.
Na região de chácaras da Gleba Lindoia, Emília Montieli, de 54 anos, nega a existência de casos de dengue na rua em que vive há 26 anos. "Com tanta chuvarada que está dando, a gente tem que cuidar. Se cuidando é perigoso, não pode relaxar mesmo. Eu me preocupo porque quem pega conta para gente como dói. Eu tenho Doença de Chagas e diabetes, então me cuido em dobro", afirmou a moradora da Rua Luíza Betti, na região apontada pela administração municipal como a de maior índice de infestação do mosquito Aedes aegypti.
Em outro extremo da via, o aposentado Antonio Guedes, 74 anos, diz que não deixa nada que possa oferecer risco. "A gente ouve na TV e o pessoal vem aqui e orienta. Até uma folha no chão que acumula água é perigoso", alertou.
O índice de infestação do mosquito Aedes aegypti em Londrina está quase oito vezes acima do limite preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação levou a administração municipal a decretar alerta epidemiológico e estado de emergência contra a dengue. O Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) apontou que, de 8.909 imóveis vistoriados pelos agentes de saúde para a pesquisa, 7,9% apresentaram criadouros do mosquito. A OMS estabelece como limite para infestação do Aedes a marca de 1% dos imóveis. Até 3,9%, o cenário é de alerta. Acima disso, há risco de surto da doença.

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