Primeiro de Maio - A marca de até onde a água alcança nos pilares da ponte e as centenas de pontas de galhos aparecendo na superfície da Represa Capivara, em Primeiro de Maio (61 km ao Norte de Londrina), são retratos do difícil período de seca pelo qual passa a região Norte do Paraná. Nos últimos anos, a imagem desolada do reservatório de 515 quilômetros quadrados está se tornando comum em épocas de falta de chuva. No entanto, os mais antigos moradores do lugar recordam-se de tempos saudosos em que a represa, que tem capacidade de armazenamento de 5,7 bilhões de metros cúbicos de água, ficava cheia o ano todo.
Neste cenário, a procissão em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, que é realizada todos os anos desde 1976 - quando aconteceu o represamento -, teve uma prece especial em 2007. No final da tarde de sexta-feira, os fiéis, distribuídos em dezenas de embarcações, pediram à Padroeira do Brasil e de Primeiro de Maio que a chuva molhe a terra vermelha do Norte do Paraná. ''Nosso povo é da lavoura e está em oração. Deus faz o que é necessário. Senhor, que os ventos soprem do Sul e nos tragam a chuva'', pediu o pároco da cidade, Sebastião Tavares, durante a procissão fluvial. ''Já realizamos essa procissão com a represa em seu nível máximo, foi lindo'', recorda Ângelo Pereira Vieira, pioneiro da festa, em tom de lamentação.
Na cidade de 10 mil habitantes, o dia de Nossa Senhora Aparecida é comemorado de forma muito intensa e envolve quase toda a população. As atividades começam às 8 horas com a bênção dos carros e só termina às 20 horas com a missa campal. Porém, o ponto alto é a procissão dos barcos, com destaque para o momento em que os ''romeiros da água'' e uma imagem da Santa chegam ao terminal turístico da cidade onde milhares de devotos esperam, sempre de maneira ansiosa.
Um foguetório de quase cinco minutos deixa tudo ainda mais emocionante. ''É a primeira vez que participo, mas agora virei todos os anos. Essa queima de fogos é de arrepiar'', relatou o médico Eduardo de Paula, 33 anos, de Apucarana, que fez o percurso da procissão de jet-ski. De carona, ele levou o seu sobrinho, Felipe Filho, 8, que considerou o passeio um dos melhores presentes que ganhou no Dia das Crianças.
Com os olhos cheios de lágrimas, a aposentada Conceição de Lourdes Camassola, de Londrina, também estava feliz da vida. ''O povo daqui é muito acolhedor. Que festa maravilhosa. Gostaria que todos tivessem a oportunidade de participar'', entusiasmou-se.
Com os barcos chegando ao seu destino final, cheio de fé, o padre bradou ao microfone. ''Quem sabe a chuva não venha antes de terminarmos a missa de hoje?'' E, de fato, embora um pouco tímida, a chuva chegou a Primeiro de Maio por volta das 20 horas de sexta-feira.

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