Em Ponta Grossa, ex-garimpeiros aguardam promessas
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sexta-feira, 15 de junho de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
A Prefeitura de Ponta Grossa não está cumprindo o que havia prometido às mais de 70 pessoas retiradas do lixão da cidade no fim de abril, por determinação judicial. Um convênio com duração de três meses que deveria ser firmado com o grupo ambiental Guará, para pagamento de salário mínimo mensal aos garimpeiros, ainda não foi assinado. A limpeza dos fundos de vale, que seria a contrapartida dos trabalhadores retirados do lixão, não está sendo feita porque o maquinário da prefeitura não tem condições de uso.
O treinamento oferecido pela prefeitura também é questionado. Para quem não sabia ler nem escrever está sendo bom, porque tem a oportunidade, diz Márcia Aparecida de Oliveira, 32 anos. Mas o que pessoal quer mesmo é trabalhar, afirmam os garimpeiros. A demora na assinatura do convênio também começa a suscitar outras desconfianças. Se não assinaram o convênio até agora, será que vai ter cooperativa para a gente trabalhar depois dos 90 dias?, questiona Márcia. A cooperativa deveria ser criada para a separação e venda de materiais recicláveis.
A prefeitura já avisou que não dará equipamentos para a formação da cooperativa, como querem os ex-garimpeiros. Vai oferecer a possibilidade de financiamentos para a aquisição de maquinário, mas essa proposta não agrada aos trabalhadores. Não queremos começar um negócio já endividados, reclama Moacir Fernandes de Oliveira. Eles também dizem que o barracão onde são dadas as aulas está sem água e luz e que até hoje as carteiras de trabalho não foram assinadas, como prometeu a prefeitura.
A prefeitura alega que depende da aprovação de projeto de lei que se encontra na Câmara para assinar o convênio com o grupo ambiental. Pelo projeto, o Executivo fica autorizado a assinar convênios sem pedir permissão para o Legislativo. A proposta está causando polêmica e ainda não entrou em votação.


