Somente ontem, uma semana depois da rebelião que deixou destruído o presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, começou o trabalho de recuperação das portas das celas. Oito portas foram arrancadas e dez foram danificadas pelos detentos na madrugada de quarta-feira passada, quando eles se rebelaram. Além da destruição das portas, os presos colocaram fogo na cozinha e usaram outros seis presos como reféns. O delegado chefe da 13ª Subdivisão Policial, Noel Muchinski da Motta, disse que a recuperação vai custar R$ 5 mil e não começou antes porque não havia recursos.
A rebelião foi causada pela superlotação. O presídio tem capacidade para 80 detentos, mas no dia do motim abrigava 190. Os presos estavam dormindo nos corredores, sem acesso a banheiros. Eles também reclamavam que não estavam recebendo medicação. A pressão feita pelos detentos resultou na transferência de alguns e na liberação de outros presos.
Mesmo com o esforço dos diretores do presídio para transferir o maior número possível de detentos, o Hildebrando de Souza continua superlotado. Ontem abrigava 127 pessoas.
Apesar da situação crítica, Motta voltou animado da audiência que teve na manhã de ontem com o secretário de Segurança, José Tavares. ôEle se comprometeu a acionar a Secretaria de Obras e ordenar a elaboração de um projeto para ampliar o presídio#, contou o delegado. A intenção, segundo ele, é deixar o presídio com capacidade para 200 detentos.
Enquanto as portas das celas não são recuperadas, os detentos transitam livremente pelo interior do presídio. Para garantir a segurança do local, uma equipe de policiais militares está ajudando na vigilância. Por dia, cerca de 15 homens das polícias civil e militar estão fazendo plantão no local.

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