Em Pinhão, muita
gente mata para
ficar conhecida
Os problemas de terra e os filhos de fazendeiros são considerados os maiores fatores da proliferação da violência em Pinhão, município que fica 40 quilômetros ao Sul de Guarapuava. Segundo o delegado Dirceu Nivaldo de Oliveira, há dez anos a situação era muito pior. ‘‘Antes não havia o que controlasse os posseiros, por causa do índice de invasões de terra. Os fazendeiros muitas vezes matavam para garantir a posse da terra’’, justificou ele. Até agora, a delegacia registrou oito homicídios, menos de um por mês. ‘‘O problema de ignorância da população continua. Muita gente mata por que quer ficar conhecida, famosa como durona na cidade’’, alegou ele.
Situações de rixa entre vizinhos e embriaguez também são comuns. O delegado contou que na semana passada, duas pessoas acabaram esfaqueadas após uma festa da Igreja central. ‘‘Geralmente as ocorrências são lesões corporais ou homicídios mesmo’’, salientou.
Pinhão é um município relativamente pequeno, com 26.550 habitantes e uma extensão de 2.088 quilômetros quadrados. É uma região que vive basicamente da agropecuária. A delegacia tem quatro celas, com dez presos, oito deles já condenados. ‘‘Mesmo que haja uma criminalidade maior, temos dificuldades em prender e acomodar os marginais’’, disse.
Enquanto a polícia alega que realmente existe criminalidade, a prefeitura tenta contornar o problema. O chefe de gabinete Mário de Oliveira disse que o município já perdeu ‘‘a coroa’’ do mais violento do Estado.
(L.P.)

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