Pode até parecer uma questão menor, apenas estética, mas o fato é que quem tem orelha de abano se incomoda, não só pelo que vê no espelho, mas pelos apelidos maldosos como 'dumbo' e 'orelhudo', só para citar alguns. Por isso, informação neste caso pode ser o melhor 'remédio': ''nem todo mundo sabe que é possível fazer cirurgia para corrigir o problema, com resultados bons e rápidos, inclusive pelo SUS (Sistema Único de Saúde)'', atesta a cirurgiã plástica Patrícia Ritter, de Londrina. E, o melhor, a correção pode ser feita em qualquer idade, inclusive na infância.
A prominauris, nome científico da orelha em abano, não é, segundo a médica, necessariamente um defeito ou má-formação. Mas a pessoa nasce com o problema. A orelha é formada na fase embrionária, resultado de arcos e fendas que formam a face. Quando a anti-hélice (dobra de dentro) não é formada, ou quando a concha (veja figura) é muito grande, ou ainda por uma combinação desses dois fatores, as orelhas ficam mais abertas que o normal. ''A anatomia normal das orelhas é caracterizada por uma série de curvaturas, existindo vários pontos onde podem ocorrer alterações, individualmente ou em conjunto'', detalha. No bebê, explica Patrícia, o abano não é tão visível porque a orelha é pequena, mas na criança, dependendo do grau, já é bastante pronunciado, e pode levar a hábitos, como não prender os cabelos, na tentativa de esconder as orelhas.
A cirurgia tem efeito imediato, segundo a médica, e pelo menos duas técnicas podem ser utilizadas para a correção (veja quadro). A dificuldade do procedimento depende do grau de abertura das orelhas e da simetria entre elas. ''De qualquer forma, é uma cirurgia de pequeno porte, com riscos muito pequenos e, de regra, com excelentes resultados'', ressalta. Em crianças, ela opta pelo uso de anestesia geral, já que nessa faixa etária os pacientes não são cooperativos durante o ato cirúrgico. Já pacientes adultos geralmente toleram bem a anestesia local com ou sem sedação.
A cirurgia pode ser feita a partir dos 6 a 7 anos de idade, quando a formação da orelha ''está praticamente estabelecida''. Mas, a idade ideal para realizar o procedimento, alerta a cirurgiã, é quando há o desejo de operar. ''Algumas crianças, que não se incomodam e convivem naturalmente com as orelhas proeminentes, não devem ser submetidas à cirurgia pelos pais, pois a agressão cirúrgica para uma criança não motivada pode ser uma experiência traumatizante'', orienta Patrícia.
Serviço: A cirurgia para correção da orelha em abano pode ser feita pelo SUS. O primeiro passo é buscar atendimento médico em um posto de saúde, onde será feito encaminhamento para serviço especializado. Em Londrina e região isso é feito principalmente no Cismepar (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema). Mas, a fila de espera é grande: em torno de dois anos.

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