Em Paranaguá, superlotação e tuberculose
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terça-feira, 12 de abril de 2005
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba Uma comissão formada por representantes da Assembléia Legislativa, do Poder Judiciário e da Secretaria Estadual de Segurança visitaram ontem pela manhã a cadeia pública de Paranaguá, que além da superlotação enfrenta outro sério problema: vários casos confirmados de tuberculose. De dezembro de 2004 até agora foram registrados 15 casos confirmados de presos com a doença e 20 detentos que contraíram o bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), mas não manifestaram a doença. Uma funcionária de delegacia também contraiu a doença e outros três apresentaram o bacilo.
O deputado estadual José Domingos Scarpellini (PSB), presidente da Comissão de Direitos Humanos, da Cidadania e Defesa do Consumidor da Assembléia Legislativa, diz que um relatório da situação da cadeira de Paranaguá será enviada ao Ministério da Justiça, à Secretaria Especial de Direitos Humanos, ao governador Roberto Requião e à Anistia Internacional. A comissão quer providências para a unidade, que foi construída em 1948 para receber 20 presos, mas que ontem abrigava 170. Este ano, a cadeia chegou a ter 198 detentos, informou o delegado-chefe da 1 Subdivisão Policial de Paranaguá, Valmir Soccio.
''O Paraná tem a pena de morte. É por asfixia e por doença infecto-contagiosa'', alfineta o deputado Scarpellini, referindo-se às condições precárias dos presos. Ele já visitou a unidade de Paranaguá em outras ocasiões (as fotos publicadas nesta edição são de uma visita de deputados estaduais realizadas na última sexta-feira) e conta que o calor é ''insuportável''. ''A Assembléia já aprovou a interdição da cadeia'', afirma. O receio de contaminação é tão grande, diz o deputado, que a justiça de Paranaguá suspendeu as audiências para tomada de depoimentos dos presos. Só estão sendo ouvidas testemunhas.
Ontem, os visitantes usaram máscaras para entrar na prisão, mas os fotógrafos e cinegrafistas foram impedidos de fazer fotos. O deputado Valdir Leite (PPS), que é de Paranaguá, infomra que a prefeitura já colocou à disposição do Estado um terreno para a construção de nova cadeia.
O juiz Roberto Massaro, de Curitiba, também esteve ontem em Paranaguá e disse que vai relatar a situação à presidência do Tribunal de Justiça. Ele não quis comentar o teor do relatório, mas adiantou que é evidente a ''necessidade urgente'' de nova unidade prisional.
Para o delegado Alex Danielewiz, chefe da divisão do interior, a solução mais rápida é a retirada do maior número possível de presos. Ele concorda que é necessária a construção de uma unidade maior e mais adequada. Mas, por enquanto, segundo ele, não há previsão e nem recursos alocados para a obra.


