A Delegacia da Mulher de Londrina foi criada em setembro de 1986 para atender mulheres vítimas de lesão corporal, ameaça, constrangimento ilegal, agressão sexual. ‘‘Se a mulher for vítima de roubo, assalto ou qualquer outro crime contra o patrimônio, aí já não é mais conosco. Os homicídios também ficam de fora da delegacia da mulher’’, diz a delegada Maria Joseléia Pigozzi. Ela foi a segunda delegada da Mulher em Londrina. Em janeiro de 1987, saiu da função e retornou outras três vezes. Há um ano e meio voltou ao cargo.
Em Londrina, a delegacia recebe em média de 10 a 12 mulheres por dia. A idade das vítimas varia de 20 a 60 anos. Segundas e sextas-feiras são os dias com mais ocorrência durante a semana. ‘‘Segunda-feira vem mais gente por causa da bebedeira do marido no final de semana’’.
Nos 10 anos da delegacia, Joseléia afirma que a mentalidade dos homens com relação às mulheres ainda não mudou. Ela cita o estupro para explicar sua tese. ‘‘Se a mulher não procurar a polícia sangrando e toda machucada, a sociedade ainda acha que ela facilitou ou provocou o estupro.’’
Outro desrespeito frequente contra a mulher que pode acabar em violência, segundo ela, é quando o marido abandona a esposa. ‘‘Depois de 10 ou 20 anos de casamento, o homem dispensa a esposa e arruma uma mais nova. Além disso, ele reluta em dar apoio financeiro à ex-mulher e acaba com sua auto-estima, chamando-a de feia, chata e diz que não suporta ouvir sua voz’’.
Joseléia diz que muitas mulheres não têm estrutura para suportar o abandono e vão armazenando mágoa e ressentimento. ‘‘Quando ela resolve reagir, às vezes é de forma mais violenta do que o homem. No caso de marido e mulher, muitas vezes ela espera o homem dormir para matá-lo porque assim ele não tem tempo de reagir. Ou então ela vai agir de forma violenta contra a outra mulher. Homens e mulheres têm comportamentos diferentes.’’
Carina Paccola

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