Em Maringá, órgão prefere orientar antes de punir
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 1999
Marcos Zanatta 
Um trabalho de parceria com toda comunidade e sem interferência política transformou o Procon de Maringá no melhor do Estado nos dois últimos anos. Hoje as iniciativas do órgão afetam a economia de toda a região e servem de parâmetro para decisões de outros Procons. O primeiro passo para melhorar a imagem, segundo o advogado Daniel Campos, coordenador do órgão, foi mudar o conceito da imprensa sobre o papel do Procon. Criamos uma personalidade própria e substituímos o direito pela defesa do consumidor, explica.
Antes, a imprensa mostrava o órgão como meramente punitivo, confundindo consumidores e empresários. Campos lembra que quando assumiu o Procon de Maringá a maior parte dos atendimentos era referente a denúncias. Hoje, de 60 a 70 pessoas buscam o órgão diariamente, a grande maioria em busca de orientação. O empresário que antes via o Procon como fiscalizador e punitivo hoje tem outra imagem do órgão, diz.
O Procon trabalhou também as entidades representativas do comércio, associações de bairros e qualquer setor com interesse no consumo. Nosso maior problema na época era a cobrança de bonificação na locação de imóveis. Convocamos o sindicato do setor e hoje 90% das imobiliárias não cobram nenhuma taxa, garante. O trabalho foi dirigido também a setores que nunca tiveram problemas de relacionamento com o consumidor. Nossa meta é de manter a harmonia entre as duas pontas, e estamos conseguindo, afirma.
O relacionamento com a comunidade contribui para a credibilidade do Procon de Maringá. Todos os meses os técnicos do órgão percorrem os principais supermercados da cidade, verificando a variação de preços para uma pesquisa que é divulgada pelos principais órgãos de imprensa do município. Notamos que a pesquisa tem mantido os preços alinhados, sem muitas diferenças, diz Campos. Ele conta ainda que quando um item está com o preço elevado em algum supermercado, no dia seguinte à divulgação da pesquisa começam as promoções. Vamos agora iniciar pesquisas de preços em açougues e padarias, avisa.
O Procon de Maringá vai retomar também a fiscalização das empresas. Não vamos mudar nossa postura de primeiramente orientar e conciliar para só depois punir, garante Campos. Ele se orgulha também de ter formado um fundo, administrado por 11 conselheiros da comunidade, para gerir o dinheiro arrecadado com as autuações. O dinheiro é utilizado para programas específicos da área, e a intenção é criar um projeto de educação, afirma. Outra iniciativa do órgão é garantir o sigilo em todo tipo de autuação. Só divulgamos o nome da empresa em caso de interesse público, como de remédios falsificados, diz Campos.


