Em Londrina, também
não houve incidentes
Francelino França
Londrina
O Exame Nacional de Cursos (Provão), realizado ontem, avaliou graduandos de cinco cursos. Somente da Universidade Estadual de Londrina 404 alunos foram inscritos. A expectativa dos organizadores se confirmou, com a adesão em massa dos estudantes. Houve 97% de comparecimento ao Exame. Segundo a coordenadora da CAE/UEL Gianna Lepre Perin, nos cursos de Engenharia e Odonto houve adesão total. O Provão é obrigatório, e neste ano, alunos dos cursos de Administração, Direito, Engenharia Civil, Odontologia e Medicina Veterinária foram avaliados.
As provas de Direito, Odontologia, Medicina Veterinária foram realizadas no Colégio Estadual Vicente Rijo e as de Administração e Engenharia Civil no Colégio Estadual Marcelino Champagnat. As provas em Londrina fora aplicadas pela Copese/CAE, entidade que organiza os vestibulares da Universidade Estadual de Londrina.
Segundo a coordenadora Gianna Lepre Perin, não houve incidentes com o Provão este ano, como os ocorridos no ano passado.
No Brasil, 92.982 alunos foram inscritos no segundo Provão aplicado pelo MEC. Desse total, 4.987 são universitários do Paraná. Segundo dados publicados pela Folha no último sábado, no ano passado 93,7% compareceram às provas, apesar da intensa mobilização dos universitários contrários ao Provão. Pelo clima nos locais do Exame, o Provão está consolidado. Os alunos argumentam que está em jogo o futuro profissional.
Outro vestibular? A estudante Vivian Ribeiro de Jesus, 21 anos, do curso de Odontologia da Unopar, avaliou, numa escala de 0 a 10, o grau de dificuldade do exame e deu nota 8 para o nível das questões. Segundo os cálculos da aluna, ela realizou as 40 questões de múltipla escolha, mais cinco discursivas, em duas horas e meia. Uma parcela significativa dos graduandos avaliados se preparou intensivamente nos últimos dias. ‘‘Minha faculdade ofereceu aulas de revisão. A cada dia foi revisada uma disciplina diferente. Mas o provão não é o melhor método para avaliar a faculdade. Avalia muito mais o aluno que a instituição’’, pondera.
O aluno Marcus Aurélio Liogi, 22 anos, graduando de Direito, observou que algumas questões estavam mal formuladas. ‘‘O nível das questões foi razoável. Faltou abordar temas de grande aplicação prática’’, afirma. Marcus Aurélio acredita que o Provão deve permanecer, com a ressalva de oferecer temas de aplicação prática, restringindo as questões à área de atuação escolhida por cada aluno. Liogi é um dos que condenam a preparação para o Exame. ‘‘Se a gente ficar se preparando, o Provão vai se transformar em outro Vestibular e distorcer o resultado’’, afirma.
‘‘Quando o Provão começar a ficar sério, as faculdades também vão levar o ensino a sério’’, opina Carlos Eduardo de Santi, 24 anos, graduando de Medicina Veterinária na UEL. Insatisfeito com o exame, ele afirma que o Provão não avalia o conhecimento geral do curso. ‘‘A parte escrita, por exemplo, foi muito específica’’, afirma, ao se referir à questão que solicitava conhecimentos sobre suínos.
Logo após o término da prova, Carlos Eduardo argumentou que o nível de dificuldade das questões, numa escala de 0 a 10, girava em torno de 7. ‘‘A segunda metade da prova estava difícil. Acho que o Provão deveria ser mais equilibrado‘‘, observa.

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