Em Londrina, só 5% dos portadores de Down trabalham
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Thays Ferrari Puzzi<br>Especial para a FOLHA 
A filha mais velha de Maria Aparecida Castanho Rodrigues, Viviane, 21 anos, tem Síndrome de Down. Há dez anos ela recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo. A ajuda é dada pelo governo federal para pessoas com deficiência que comprovem ser carentes e incapacitadas para o trabalho. Separada do marido e trabalhando como freelancer em um buffet de Londrina, Maria Aparecida confessa que só permitiria que a filha trabalhasse se fosse ganhar mais do que isso. ''Já apareceram algumas oportunidades para a Viviane, mas era tudo para ganhar um salário. Ter um trabalho faria bem para ela, mas não para trocar elas por elas.''
Viviane concluiu o ensino médio e faz parte da turma profissionalizante da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down de Londrina (APSDown). Ela garante que gostaria muito de trabalhar, mas não quer perder o benefício.
A dúvida entre garantir o benefício mensal e se ''arriscar'' no mercado de trabalho é comum entre as pessoas com a síndrome. Conforme a psicóloga da APSDown, Mariane Barusso, a inserção no mercado ainda é algo novo que, de certa forma, assusta as famílias. ''Foi a mesma coisa quando eles foram inseridos no ensino regular. São os mesmos medos: será que alguém vai fazer mal, vai humilhar? Além disso, tem o medo do filho não dar conta.''
Mesmo com essas dificuldades, de acordo com a técnica pedagógica da equipe de ensino de educação especial do Núcleo Regional de Educação e Ensino de Londrina, Vânia Regina Pelisson, os encaminhamentos para o mercado de trabalho têm avançado. ''Como qualquer outra pessoa, as pessoas portadoras de deficiência, desde bebês, são preparadas para cumprir o seu papel social e o encaminhamento é a conclusão de todo um trabalho'', afirma Vânia.
Segundo o Núcleo, existem hoje em Londrina seis escolas de educação especial que atendem 590 pessoas portadoras de deficiência acima de 16 anos, ou seja, pessoas que já poderiam ser encaminhadas para o mercado de trabalho. Destas, pouco mais de 56% (258 alunos) recebem o benefício e apenas 5% (32) estão no mercado.


