Em Londrina não há histórico de atividade sísmica
Além do excesso de chuva, as cidades próximas a Londrina têm em comum relatos de tremores de terra sentidos nos últimos dias. Em Londrina, especialistas do Centro de Sismologia da USP instalaram quatro sismógrafos portáteis, mas ainda não estão previstas medições de tremores de terra nos municípios da região. De acordo com o geólogo e professor da UEL, José Paulo Pinese, os abalos sísmicos registrados nos últimos dias na zona leste de Londrina teriam ocorrido na camada rochosa. "Esses tremores estão a algumas centenas de metros de profundidade, abaixo da camada do solo. O cálculo ainda está sendo feito. Podem ser sismos induzidos ou naturais", explicou o professor.
Cada equipamento registra 500 eventos por segundo e os técnicos analisam os registros um a um. "Precisamos de estudos mais aprofundados. Estamos acompanhando a situação em Rolândia, Arapongas e Cambé, mas ainda é cedo para afirmar que também tenham ocorrido abalos sísmicos por lá", ponderou. Em Londrina, os aparelhos registraram oito tremores com magnitude variável entre 1.1 e 1.7, entre os dias 10 e 12 de janeiro.
O sismólogo George França, que atua no Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), destaca que o excesso de chuva também pode favorecer a ocorrência de abalos. "Às vezes, quando você tem um período muito chuvoso existe a possibilidade de ter tremores porque a água se torna um catalisador. Como em Londrina a gente não tem um histórico de atividade sísmica forte na região, tudo é possível de se estudar", avaliou.
Conforme o especialista, apesar das atividades sísmicas não serem muito comuns no Brasil, há registros de tremores em diversos Estados. "Em 1955, foi registrado o maior terremoto brasileiro de magnitude 6.2 em Porto dos Gaúchos (MT). Depois teve um no mar de Vitória (ES), de 6.1. Em regiões sísmicas como o Nordeste teve em 1986, em João Câmara (RN), que foi de 5.1. Em Mogi das Cruzes (SP), em 1922, teve um tremor de magnitude 5. Em Montes Claros (MG), em Itacarambi (MG), na região de Sobral (CE) e em Goiás foram registrados tremores recentes", comentou. Em 2006, um abalo sísmico de magnitude 4.3 foi registrado em cidades da região dos Campos Gerais.
Conforme França, a Rede Sismográfica Brasileira, criada em 2010, favoreceu o aprimoramento dos estudos. A rede é formada por especialistas da Universidade de São Paulo, da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do Observatório Nacional do Rio de Janeiro. No entanto, em muitos casos, a burocracia para viabilizar a logística de viagens da equipe de técnicos atrapalha a constatação de tremores menores em todo o País. "Muitas vezes, os tremores cessam antes da equipe chegar", destacou.(V.C.)





