Londrina - Em Londrina, a estatística também reflete a realidade brasileira. No ano passado, conforme informações do Comitê de Prevenção da Mortalidade Materno-Infantil, dos 71 óbitos de crianças menores de um ano, 20% dos casos eram relativos a filhos de mães até 19 anos, apesar do coeficiente de mortalidade infantil oscilar entre 10 e 11 mortes para cada mil nascimentos, o que corresponde a quase metade do coeficiente de 19 mortes registrado no Brasil.
As 14 mortes de crianças até um ano filhas de mães adolescentes registradas em Londrina no ano passado ocorreram com moradoras de regiões carentes. Apenas na Zona Sul foram seis óbitos, ou 43% do total, nos bairros União da Vitória, Novo Amparo, San Izidro, Cafezal e Parque das Indústrias. As informações são de Christiane Barrancos Liberatti, coordenadora do Comitê de Prevenção de Mortalidade Materno-Infantil.
''O risco associado à gestação em adolescentes é amplamente conhecido. Além dos fatores biológicos impostos pela idade, há também o risco psicológico. A maioria não tem preparo emocional nem experiência de vida para cuidar de uma criança. As próprias mães precisam ser cuidadas por um adulto responsável'', analisa.
Por isso, Christiane defende que as campanhas foquem não apenas o combate à mortalidade materna-infantil, mas também na prevenção da gravidez na adolescência. ''Entre a população mais pobre, a gestação é usada como alavancador social'', diz, para explicar por que, nas regiões carentes, o índice de adolescentes grávidas é mais alto.
''Elas ficam grávidas por falta de outras perspectivas, veem na gestação a oportunidade para sair de casa e melhorar a qualidade de vida. A oferta de contraceptivos adequados à idade existe, mas as adolescentes precisam querer a prevenção'', diz.
Na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, das 1.846 gestantes atendidas de janeiro a junho deste ano, 20% tinham menos de 19 anos. Em uma das regiões em que há um trabalho permanente com gestantes, a enfermeira chefe da UBS do Marabá, Edna Tomeleri, revela que cerca de 25% a 27% das mulheres atendidas mensalmente são adolescentes (menos de 20 anos). Abaixo de 16 anos, elas são encaminhadas para acompanhamento do Centro de Referência em Saúde. ''Acima dos 16 anos, o atendimento é feita via UBS'', diz, acrescentando que são poucos os óbitos de crianças na região. ''Este ano não houve nenhum por morte evitável.''
Outro dado relevante constatado na Maternidade Lucilla Ballalai diz respeito ao risco imposto ao recém-nascido de mães em risco social, que incluem usuárias de drogas, alcoolistas, em situação de violência doméstica ou sexual, moradoras de rua ou mulheres com problemas psiquiátricos. Conforme a assistente social da instituição, Luciana Mazzarotto Negrini, a grande maioria das 690 pacientes nessa situação registradas de 2007 a 2011 tiveram o primeiro filho ainda na adolescência.
''A precocidade na vida sexual aumenta a vulnerabilidade'', diz, acrescentando que os números são relativos a crianças encaminhadas ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância e Juventude.
No primeiro caso, os filhos são entregues a familiares responsáveis com acompanhamento do Conselho e de agentes comunitários de saúde. Quando a família nega a acolhida - normalmente por já cuidar de filhos anteriores da mesma mulher -, o destino da criança é decidido pela Justiça. ''A mãe tem opção de ficar abrigada por um tempo. Se não se recupera, a criança é encaminhada para adoção'', explica. (C.A. e M.T.)

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