‘‘Fernando Henrique! Ladrão! Cadê a verba da educação!’’; ‘‘Fernando Henrique! Fascista! Você também já foi bolsista!’’. As palavras de ordem dos quase mil estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que invadiram o Calçadão da Avenida Paraná (área central), ontem de manhã, só foram quebradas quando o carro de som chegou ao local e soltou os primeiros acordes da música ‘‘Sem Lenço, Sem Documento’’, de Caetano Veloso. Delírio total. Os estudantes também dançaram animados ao som de Raul Seixas, Cazuza e Legião Urbana. A chuva fina, que insistia em cair durante toda a manhã, ao invés de atrapalhar acabou animando ainda mais. Foi uma festa de apitos coloridos, roupas molhadas e guarda-chuvas.
O protesto fez parte do ‘‘Dia Estadual de Mobilização e de Luta contra o Corte de Verbas, contra a Volta do Ensino Pago, e em Defesa da Universidade Pública, de Qualidade e Gratuita’’, convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Paranaense de Estudantes (UPE), Diretórios Centrais de Estudantes (DCEs) e Centros Acadêmicos das cinco universidades e 12 faculdades estaduais do Paraná.
Adriano Lima, secretário da UPE, explicou que a motivação para o protesto foram os recentes cortes anunciados pelo governador Jaime Lerner (PFL) para o setor. A Secretaria da Fazenda divulgou no último mês que irá cortar 84% das verbas das universidades estaduais em 1999, baixando o investimento previsto nas Instituições Estaduais de Ensino Superior (Iees) de R$ 355 milhões para R$ 55 milhões.
‘‘Estes cortes podem provocar a perda do caráter público das universidades’’, atesta o estudante. Para ele, sem verbas para manutenção, as instituições públicas de ensino superior terão que correr atrás de recursos na iniciativa privada para continuar com as portas abertas. E, consequentemente, a pesquisa científica poderá ficar atrelada aos interesses privados.

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