Em Londrina, investigador cuida de presos
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segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A mão pesada do Estado desestimula os investigadores a assumirem a carência de pessoal nos distritos policiais. A Folha percorreu as delegacias de Londrina e não encontrou nenhum policial disposto a contar abertamente como a defasagem de pessoal no Paraná interfere no trabalho de investigação. Sem profissionais suficientes, a maioria dos que estão em serviço precisa desviar-se de suas funções para cuidar das centenas de presos que deveriam estar em prisões provisórias.
''Acho que não preciso nem responder a essa pergunta'', lamentou um investigador, questionado se o número reduzido de policiais prejudica a investigação de crimes, principalmente aqueles de menor gravidade como os casos de pequenos furtos. ''Estou vivendo uma das piores fases na polícia'', reclamou um investigador com mais de 20 anos na Polícia Civil. Outro policial declarou que investigador hoje ''faz mais B.O. (boletim de ocorrência) e entrega intimação do que qualquer outra coisa''.
No 2º DP (Zona Leste), com capacidade para 68 vagas, quatro investigadores um por turno se revezam no cuidado de quase 190 presos. No 3º DP (Zona Oeste) também são seis investigadores. Quatro, porém, precisam garantir a segurança da carceragem feminina, que tem capacidade para 40 mulheres mas abrigava ontem 62. Os outros dois policiais se desdobram na investigação dos crimes, no trabalho de intimação de testemunhas e suspeitos e no transporte de presos para o Fórum, Vara de Execuções Penais (VEP) e consultas médicas, entre outras funções. No 4º DP (Zona Sul), são cinco investigadores. Mas, como a segurança dos 65 presos exige quatro policiais, apenas um cumpre a rotina própria de investigador. Um segundo funcionário público do distrito, que não é investigador, auxilia no expediente.
O 1º DP (Área Central), que tem por volta de 1.800 inquéritos tramitando, só conta com um investigador. No 6º DP (Zona Rural) também há apenas um investigador, mas o volume de inquéritos, segundo a Polícia Civil, é bem menor.
O jeito encontrado para driblar a falta de pessoal nos distritos foi centralizar a investigação na Central. São pouco mais de 10 policiais divididos em cinco equipes. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, concordou que a situação nos DPs não é a ideal mas argumentou que a criação de forças-tarefas específicas para casos de furto e roubo de veículos e residências e de homicídios minimizou a defasagem e não deixou a Polícia Civil sem dar as respostas exigidas pela comunidade. ''Considerando os recursos presentes, essa medida possibilitou a investigação dos crimes de forma integrada com a sociedade e com o apoio da imprensa e do Judiciário.''
André lamentou que as aposentadorias registradas nos últimos meses contribuíram para agravar a falta de pessoal. Ele anunciou que dentro de 15 dias mais 12 policiais, que estão concluindo o curso preparatório da polícia, devem começar a trabalhar na área da 10 SDP, que abrange 20 municípios. O delegado-chefe prometeu que distritos com maior volume de trabalho receberão um reforço.


