Em Londrina, chuvas causam muitos transtornos
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quarta-feira, 05 de outubro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O transtorno com o excesso de chuvas ontem em Londrina mudou a rotina de algumas pessoas, que logo pela manhã enfrentaram alagamentos em vários pontos da cidade. Pedestres e motoristas que passaram pela Rua Quintino Bocaiúva, entre a Belo Horizonte e Mossoró (Área Central) se depararam com um alagamento, formando um espelho d' água com mais de 30 centímetros de profundidade, invadindo alguns estabelecimentos. Alagamentos também foram verificados em outros pontos da cidade.
Os pedestres tiveram dificuldades para caminhar na calçada inundada, correndo o risco de acidente ou de não chegar ao trabalho porque alguns motoristas não reduziam a velocidade, espirrando água em quem passava. A mesma situação foi enfrentada pelos usuários do transporte coletivo que aguardava no ponto em frente a uma praça.
Problema maior foi o de comércio, como uma loja de tintas. A enxurrada entrou no estabelecimento molhando um computador. ''Isso acontece toda vez que chove. Dá a impressão que toda a cidade está alagada'', criticou o proprietário, Joasi Gonçalves.
Uma equipe de funcionários da Secretaria Municipal de Obras chegou às 8h30 para tentar desentupir dois bueiros. Um dos funcionários, que não quis se identificar, disse que a secretaria conta apenas com uma equipe formada por três trabalhadores braçais, um caminhão de auto-pressão, dois caminhões pipas e uma retroescavadeira para executar o trabalho de desentupimento de bueiros em toda a cidade.
O engenheiro da Secretaria de Obras, Joaquim Vargas, confirmou que os problemas por causa da chuva são constantes, principalmente na área central, responsabilizando a impermeabilidade do solo e a falta de conscientização de quem joga lixo nos bueiros.
''Em ruas como a Quintino Bocaiúva a tubulação é de 30 a 50 anos atrás, com 30 centímetros de diâmetro. Se tivesse um diâmetro de pelo menos de 80 centímetros seria suficiente para solucionar o problema. Porém, esse é um investimento alto. Algo em torno de R$ 50 milhões'', afirmou Vargas, relacionando seis pontos críticos de impermeabilidade, que a equipe da secretaria atendeu ontem, entre os quais a Vila Recreio (Área Central), a Avenida Guilherme de Almeida (Zona Sul) e o Conjunto Parigot (Zona Norte).
A Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conjunto Mister Thomas (Zona Leste) foi inundada pela água, dificultando o atendimento aos pacientes. E a chuva também trouxe transtorno para os alunos e professores da Escola Estadual Tiradentes, na Vila Recreio. ''Considero um descaso do Estado. É um problema antigo. Pedimos uma reforma para a escola em 2001 e até agora nada'', disse a diretora geral, Ingria Sproger de Almeida, que há cinco anos dirige a instituição de ensino, com cerca de 300 alunos.
Uma sala do segundo andar estava com várias goteiras provocadas por infiltrações. A água vazava para o piso inferior, onde fica a sala da turma especial. ''A escola também enfrenta a depredação e o risco de incêndio devido aos problemas elétricos, agravados pela água da chuva que escorre pelas infiltrações'', explicou.
Eduardo Carvalho, responsável pela Fundepar no Núcleo Regional de Educação (NRE), disse que o telhado da escola passou por uma reforma há cerca de um ano e meio e que, apesar disso, existe um processo de reforma em tramitação na Fundepar.
O Aeroporto de Londrina também foi prejudicado. Segundo a Infraero, os pousos e decolagens foram interrompidos por pelo menos quatro vezes entre 8 e 17 horas de ontem. Três vôos foram cancelados.
Entre a madrugada e o início da tarde de ontem choveu 89 milímetros em Londrina. A média de todo o mês de outubro é de 130 milímetros.


