Mário CésarE o Fusquinha?Artis Walewski e seu carro sem retrovisor direito: em dúvidaO professor universitário Artis Walewski procurou ontem o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Marino Ari Burille, com uma dúvida sobre o Código Nacional de Trânsito. Ele estacionou voluntariamente o seu Fusca ano 64 durante a blitz educativa da PM, na avenida 10 de Dezembro, área central de Londrina, para perguntar sobre a falta do retrovisor no lado direito do carro - os modelos mais antigos não dispõem do equipamento.
‘‘Como fica quem não tem o retrovisor direito? Vai ser multado?’’, indagou. O comandante respondeu que estes casos ainda serão regulamentados.
A blitz educativa da PM começou por volta das 11 horas e seguiu até o início da tarde. Vinte homens da Companhia de Trânsito pararam os carros para distribuir gratuitamente cópias do Código e orientar os motoristas sobre as principais infrações.
O sargento Vital Ferreira de Souza, que coordenou a blitz, lembra que o objetivo principal foi orientar os motoristas. No local, só casos graves seriam multados. Os outros seriam apenas alertados. Foi o caso de um caminhão que transportava três pessoas na carroceria. Mas o sargento Vital lembra que desde a zero hora de ontem os policiais militares já estavam aplicando as multas conforme o novo Código. Um motoqueiro flagrado com a moto depenada, sem placas e sem capacete, foi notificado e teve o veículo apreendido.
Mario Renato Donato, 27 anos, representante comercial, passou propositalmente na blitz da avenida 10 de Dezembro para ganhar um Código Nacional de Trânsito. ‘‘Eu procurei em livrarias e não encontrei.’’ Fernando Barbosa, 30 anos, gerente de vendas, também ganhou um código da PM. ‘‘Conhecia vagamente a nova lei, não tive acesso até agora. Eu acho que eles deveriam ter feito isso antes. Mas de qualquer maneira acredito que o resultado do novo Código vai ser positivo.’’
Para o sargento Vital de Souza, a Cidade amanheceu ontem mais tranquila. ‘‘Noventa e cinco por cento das pessoas estão usando cinto de segurança. E a maioria dos motociclistas está com capacete.’’ Ele frisa que o sucesso do novo Código depende da conscientização da sociedade. ‘‘Os acidentes são causados, na maior parte das vezes, por imprudência, negligência e imperícia do condutor.’’
Algumas dificuldades da PM podem atrapalhar a aplicação do novo Código, admite o sargento. A primeira é em relação ao efetivo da Companhia de Trânsito, que conta, em Londrina, com apenas 90 soldados, sendo que a fiscalização nas ruas é realizada por 60 homens divididos nos três turnos: manhã, tarde e noite.
Parte desta deficiência é compensada, segundo ele, porque todos os policiais militares (mesmo aqueles que não trabalham na Ciatran) podem autuar os infratores. Além disso, funcionários da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) também vão trabalhar na fiscalização.
Outro problema é o destino dos carros retidos. ‘‘Se hoje (ontem) forem apreendidos cinco carros em Londrina, nós não teremos local para colocá-los’’, diz o sargento Vital. Isso porque o pátio da Ciatran está lotado de veículos apreendidos e há alguns anos o Departamento de Trânsito do Paraná não realiza leilões dos carros, motocicletas e bicicletas abandonadas naquele local. ‘‘Nós precisamos que seja providenciado com urgência um leilão ou um outro pátio para colocarmos os veículos.’’

mockup