Em Londrina, bananeira também dá papel
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terça-feira, 10 de janeiro de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
No Patrimônio Selva, as bananeiras dão muito mais do que apenas bananas. Por lá, as bananeiras produzem pencas de bolsas, cachos de jogos americanos e, recentemente, também começaram a ganhar brotos de papel colorido. Fenômeno da natureza? Na verdade, tudo é resultado da criatividade da Associação de Mulheres do Patrimônio Selva (Zona Sul de Londrina), que em 2000 descobriu uma nova e generosa matéria-prima: a fibra da bananeira.
O barracão construído nos fundos da casa de Maria José Teixeira Lopes, presidente da Associação, transformou-se na sede do ''Grupo da Bananeira''. Conhecido por suas bolsas, que já foram vedetes de congresso internacional, o grupo lançou no ano passado o papel feito de fibra de bananeira. ''É a nossa alavanca'', conta Maria José, que conquistou clientela nova com os papéis artesanais.
As floriculturas de Londrina são as principais compradoras, segundo a presidente. O papel diferenciado tem embalado vasos e arranjos de flores nas mais diversas cores. ''Dá para fazer também o cachepô e até mesmo as flores'', explica Maria José, que tem um mostruário variado com as opções criadas pelas associadas. As cadeiras de fibras grossas ainda são protótipos e as almofadas serão os próximos lançamentos.
Num dia sem chuva, o Grupo da Bananeira pode produzir até 1.000 folhas de papel. Após serem cortadas e limpas, as fibras são picadas e cozidas. Depois são lavadas e vão para um liquidificador misturadas ou não à tinta, dependendo da encomenda. As fibras são então peneiradas e ganham forma e tamanho. A finalização é secar as folhas no varal. O processo artesanal colabora para o aspecto rústico dos papéis produzidos pelas mulheres.
A receita original levava cola e quiabo. ''Mas não é sempre que a gente tem quiabo, então resolvemos tirar esse 'ingrediente' e deu certo'', conta Maria José, que não pára de ter idéias que facilitem a produção. ''A gente não tem capital de giro e tem que ganhar hoje o dinheiro que precisava ontem'', diz. ''Então temos que usar nossos próprios recursos para crescer'', explica.
Criada em 1994, a associação começou fazendo o crochê tradicional e hoje investe nas fibras de bananeira como geração de renda. ''Foi a melhor coisa que aconteceu'', lembra Maria José, que descobriu a multifuncionalidade da bananeira num curso em Curitiba. Das 25 pessoas treinadas para trabalhar com as fibras, oito já aprenderam a confeccionar o papel que, segundo a presidente, pode ser usado nas impressoras. ''Dá para fazer cartão ou uma toalha de mesa'', garante.
Até o dia 15 de janeiro, as criações do Grupo da Bananeira estarão à venda no Bazar Gente Contente, do Catuaí Shopping Center. As bolsas custam entre R$ 25 a R$ 40 e os papéis têm preços que variam de R$ 0,50 a R$ 4.


