Em greve, Samu deixa de atender paciente
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sábado, 07 de outubro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Um pedido de desculpas da secretária municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos, por carta, foi o que a diarista Alzira de Jesus Moraes Amaro recebeu depois de ter ajuda negada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no início da semana. A mãe da diarista, Rosa de Jesus Nogueira, 73 anos, passou mal na última segunda-feira e como ela não conseguia se movimentar devido a uma isquemia cerebral, Alzira chamou a ambulância.
''Eles disseram que não podiam atender porque estavam em greve, mas que eu deveria ir ao posto'', conta. Como sabia que a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conjunto Cafezal (Zona Sul), onde mora, estava fechada por causa da greve, a diarista teve que procurar um amigo para levar a mãe até o Hospital da Zona Sul, em carro particular. ''Eu dei sorte porque tive com quem contar. E quem não tem ninguém'', questiona Alzira, que também é presidente do Conselho Local de Saúde do Cafezal.
Segundo ela, a UBS atende pelo menos 20 mil pessoas entre os conjuntos Cafezal, Jamile Dequech, Alto Cafezal, Del Rey e Tarobá. No último dia 25 de setembro, moradores encaminharam um abaixo-assinado ao Ministério Público, reivindicando a reabertura da unidade que, de acordo com a carta da secretária Josemari à Alzira, não deve ser reaberta tão logo por falta de funcionários.
Casos como o da dona Rosa têm sido comuns nestes dois meses de greve, conforme afirma o promotor Paulo Tavares. Ele encaminhou um documento ao prefeito Nedson Micheleti e à direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindiserv), o qual agrega todas as denúncias referentes à Saúde durante o período da greve. O documento chegou às mãos das autoridades na última quarta e o promotor espera uma resposta para esta segunda-feira, ''antes de tomar novas medidas administrativas''.
A principal dificuldade da população, segundo Tavares, está na locomoção para as unidades de saúde mais próximas, ''principalmente idosos e gestantes''. Para Alzira Amaro, ''nem todo mundo tem dinheiro para pegar até dois ônibus e ir ao posto de saúde do bairro vizinho'', constata.
A gerente do Programa Municipal de Saúde da Família, Marilda Kohatsu, explica que das 53 UBS de Londrina, 16 estão em funcionamento na zona urbana - três na Zona Sul, quatro na Zona Norte, duas no Centro, incluindo o Pronto Atendimento Municipal (PAM), duas na Zona Oeste e cinco na Zona Leste - e 12 na zona rural.
Estão sendo realizadas apenas as demandas diárias, sem possibilidade de agendamento de consultas, com prioridade para o pré-natal de gestantes. ''Medicamentos para pacientes crônicos com hipertensão e diabetes estão sendo distribuidos normalmente, além das vacinas'', informa.


